Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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O relato relevante e a discrição oficial

Por Frederico Vasconcelos

Depoimento de Eliana Calmon: o que saiu na mídia e o registro oficial do CNJ

Alguns leitores acreditam que a imagem do Judiciário é comprometida pela imprensa –e não pelos fatos. A seguir, trechos do depoimento da ministra Eliana Calmon na audiência pública na Comissão de Constituição, Justiça do Senado Federal, nesta terça-feira, publicados nos grandes jornais no dia seguinte, e excerto do relatado em informativo oficial do Conselho Naciona de Justiça, ná véspera.

Folha (sob o título “Corregedora volta a atacar ‘vagabundos’ do Judiciário”): “É dificílimo um tribunal julgar desembargador. Se ele tem a simpatia do colegiado, e os malandros são sempre extremamente simpáticos, o tribunal não tem poderes para julgar. Não tenho medo dos maus juízes, mas do silêncio dos bons juízes que se calam na hora do julgamento.” 

“O Estado de S.Paulo” (sob o título “Corregedora quer punir ‘juízes vagabundos'”): “Meus senhores: é um descalabro. Toda vez que um governador corrupto quer um favor ele se junta ao presidente do tribunal e dá aumento. O que estamos encontrando: os desembargadores ganham o teto – R$ 26 mil – mas em três meses do ano vem um penduricalho, uma gratificação monstruosa. Se dividir tudo pelos 12 meses, eles ganham R$ 50 mil, R$ 40 mil, R$ 70 mil”.

“O Globo” (sob o título “Eliana Calmon: há magistrados ‘vagabundos'”): “Os malandros são extremamente simpáticos. Não tenho medo dos maus juízes, mas do silêncio dos bons juízes, que se calam quando têm de julgar colegas. Eles não querem se indispor, o coração não está bom, estão no fim da vida. Mas têm que julgar”.

“Correio Braziliense” (sob o título “É uma tradição não fazer nada”): “Nas corregedorias, é uma tradição não fazer nada. O corregedor sai da corregedoria e se candidata à presidência. Se ele mexer em muita coisa, ele não é eleito. O colégio de corregedores vira sempre um grande piquenique. As mulheres vão, passeiam… Tem jantares. Mas no próximo vai ter que se trabalhar. Eu já pedi dois dias só para o meu discurso”.

Estado de Minas” (sob o título “Corregedora critica piquenique de juízes”): Alguns senadores propuseram a inclusão da permissão para que o CNJ quebre o sigilo bancário dos investigados. Eliana discordou deles. “Manter a PEC do jeito que está me parece mais salutar para não causar o estresse que essa sociedade ainda tem em relação ao sigilo fiscal e bancário, porque aí é que mora a serpente”, defendeu.

“Jornal de Brasília” (sob o título “Crítica aos juízes ‘malandros'”): “Precisamos abrir em diversos flancos para falar o que está errado dentro da nossa casa. Faço isso em prol dos magistrados sérios, decentes, que não podem ser confundidos com meia dúzia de vagabundos que estão infiltrados na magistratura.”

Valor Econômico” (sob o título “Corregedora defende PEC que amplia poder do CNJ”): “Eu falei muito porque precisava. Se eu não falasse com a imprensa, estava frita. Faço isso em prol da magistratura correta, decente, que não pode ser misturada com uma meia dúzia de vagabundos que estão infiltrados na magistratura.”

(…)

“O povo brasileiro parece que se apropriou do CNJ e marchou para as redes sociais, a imprensa, os Facebooks da vida. E esse órgãozinho criado em 2004 passou a ser questionado por um porteiro de prédio, um faxineiro de edifício, até um doutor que escreveu artigos para os jornais. Foi uma das coisas mais lindas que eu, como cidadã brasileira, presenciei.”

Agência CNJ de Notícias” (sob o título “Corregedora defende PEC sobre poderes do CNJ”): “A competência concorrente é que dá força à atuação da Corregedoria Nacional”, fazendo com que as corregedorias locais também ajam na correção de eventuais faltas administrativas dos magistrados. Atualmente, ressaltou ela, muitas corregedorias estão vinculadas diretamente à presidência do Tribunal e não têm autonomia administrativa e financeira para funcionar. Com isso, quando o presidente não gosta do corregedor, ele pode eventualmente cortar os recursos e pessoal, impedindo o funcionamento da Corregedoria”.

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