Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Operação em Goiás e controle das polícias

Por Frederico Vasconcelos

A Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR) distribuiu informativo em que o presidente da entidade, Alexandre Camanho, cita a Operação Monte Carlo, em Goiás, como resultado do controle externo da atividade policial e do poder de investigação do Ministério Público.

Segundo a ANPR, a combinação dessas duas prerrogativas levou hoje à desarticulação de uma organização criminosa que agia há 17 anos na exploração de máquinas caça-níqueis.

Durante toda a investigação, que durou cerca de 15 meses e foi feita em conjunto com a Polícia Federal, foram identificados como integrantes do grupo criminoso agentes infiltrados na área de segurança pública, como delegados de polícia.

Para Camanho, a operação expõe a real necessidade de se manter as prerrogativas do Ministério Público, frequentemente contestadas no Congresso Nacional.

“Quando as organizações criminosas conseguem se infiltrar nas estranhas das instituições policiais, o controle externo se torna imprescindível, sob pena de ver o Estado brasileiro subjugado aos desmandos de delinquentes e corruptos”, afirma.

O controle externo da atividade policial é uma atribuição prevista na Constituição Federal e existem coordenações de controle externo na Procuradoria Geral da República e em todos os estados do Brasil.   O poder de investigação do Ministério Público atualmente se encontra ameaçado pela Proposta de Emenda à Constituição 37, em tramitação na Câmara dos Deputados. Pelo texto da PEC, a competência para investigação criminal ficaria apenas nas mãos da Polícia Judiciária – composta pelas polícias federal e civil dos estados e do Distrito Federal.

A operação realizada nesta quarta-feira resultou na prisão de Carlos Cachoeira, explorador do setor de jogos e suposto chefe da quadrilha, dois delegados de Polícia Federal de Goiânia, seis delegados da Polícia Civil de Goiás, três tenentes-coronéis, um capitão, um major, dois sargentos, quatro cabos e 18 soldados da Polícia Militar de Goiás; um auxiliar administrativo da Polícia Federal em Brasília; um policial rodoviário federal, um agente da polícia civil de Goiás e um agente da polícia civil de Brasília; um sargento da Polícia Militar de Brasília, um servidor da Polícia Civil de Goiás, e um servidor da Justiça estadual de Valparaíso de Goiás.

De acordo com o MPF, o faturamento líquido de uma das casas fechadas foi de mais de R$ 3 milhões no período de seis meses. Na operação, foram fechadas quatro casas de jogos de azar em Valparaíso e duas em Goiânia. A Operação Monte Carlo apreendeu quase 200 máquinas.

“O grupo foi constituído e se especializando, ao longo do tempo, com clara estrutura empresarial voltada para fomentar, manter, estimular de forma cartelizada, um lucrativo mercado de exploração ilícita de jogos de azar. Vislumbra-se uma estrutura organizacional e piramidal complexa, com funções bem definidas na estrutura empresarial. A sua existência por mais de uma década foi suficiente para montar e organizar uma estrutura estável e entranhada no seio do Estado, com, inclusive, a distribuição centralizada de meios de comunicação para o desenvolvimento das atividades, com o objetivo de inviabilizar a interferência das agências sérias de persecução” enfatizam os procuradores da República Daniel de Resende Salgado, Lea Batista de Oliveira e Marcelo Ribeiro de Oliveira, responsáveis pelo caso.

Obs. – Texto ampliado às 18h16

 

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