Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Entrevista de Eliana gera nova crítica da Ajufe

Por Frederico Vasconcelos

Entidade considera injustas as afirmações sobre a segurança dos juízes

A Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil) distribuiu mais uma nota criticando a corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon. A manifestação, reproduzida a seguir, foi divulgada a título de responder às declarações da corregedora sobre a segurança dos juízes.

Resposta às declarações da Ministra Eliana Calmon quanto à segurança dos juízes

A Associação dos Juízes Federais do Brasil (AJUFE) vem a público novamente manifestar veemente repúdio às declarações da Corregedora Nacional de Justiça, Ministra Eliana Calmon, no sentido de que “o juiz muitas vezes quer um segurança para ser diferente” e “quer uma mordomia para mostrar aos outros que ele é importante”.

É totalmente insubsistente, desrespeitosa e injusta a nova declaração genérica de Sua Excelência. Os magistrados federais são agentes políticos do Estado e trabalham, de modo corajoso e exemplar, no combate ao crime organizado e ao narcotráfico internacional em defesa da população brasileira, vítima da constante ação das organizações criminosas no Brasil.

Prova disso é que os grandes líderes do narcotráfico internacional e do crime organizado foram presos por juízes federais. O próprio CNJ destacou que existem 200 juízes ameaçados de morte, embora este número seja muito maior porque a criminalidade  não avisa quando vai atacar. Nos últimos anos, tivemos seis assassinatos de quatro juízes e dois promotores de justiça que, como a magistrada Patricia Acioli, foram mortos covardemente em virtude do exemplar exercício de suas funções constitucionais em defesa da segurança da população.

Em vez de pregar semanalmente contra a magistratura com frases genéricas de efeito veiculadas na grande mídia, deveria Sua Excelência colaborar para o efetivo combate ao crime no país e apoiar o PL 03/2010 que tramita no Congresso Nacional e cria o órgão colegiado de juízes e a segurança institucional dos magistrados que julgam narcotraficantes e líderes do crime organizado.

As famílias, amigos e colegas desses juízes e promotores assassinados, e a cidadania defendida por estes, podem ter a certeza de que a segurança que o Estado lhes negou jamais poderia ou poderá ser confundida com mordomia, mas antes uma obrigação do Estado de Direito não para com o juiz, mas para com a própria segurança da população brasileira.

O momento é de sensatez, equilíbrio, serenidade e verdadeiro combate à corrupção e impunidade nas vias legais adequadas. É chegada a hora da criação de uma agenda positiva que fortaleça o Poder Judiciário na luta contra o narcotráfico internacional e o crime organizado.

Gabriel Wedy

Presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil

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