Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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“Alvo eram peões, acertaram Torres”, diz Aras

Por Frederico Vasconcelos

Encontro fortuito de provas autorizaria apuração autônoma contra Senador

Sob o título “Cachoeira abaixo: o caso D.L.X.T.”, o procurador da República Vladimir Aras sustenta, em seu blog, a tese de que as provas obtidas no caso Monte Carlo são legítimas (*).

As iniciais do título pertencem a Demóstenes Lázaro Xavier Torres. Segundo o articulista, “não é o primeiro membro do Ministério Público a cair em desgraça por suspeita de corrupção, mas talvez seja o exemplo mais eloquente da velha frase: nem tudo que reluz é ouro”.

“Quando a ‘casa ca-cai’, homens públicos em severos apuros costumam convocar para sua defesa o dr. Antônio Carlos de Almeida Castro, o ‘Kakay’. Dublê de restauranteur e defensor, Kakay é um advogado de causas impossíveis e um ás de ouros da embaralhada prática forense brasileira. Por sua vez, Cachoeira convocou uma respeitada grife para sua defesa, o ex-ministro Márcio Thomáz Bastos, acostumado a incríveis ‘royal straight flushes’ no tapetão judiciário. Para grandes males, grandes remédios. Essas bancas são muito bem pagas. É preciso ganhar na megasena para quitar esses honorários”, afirma o procurador.

Segundo Aras, “partindo de declarações iniciais de Kakay à imprensa, podemos adivinhar suas cartas em juízo:

a) a primeira será questionar a competência da Justiça Federal de primeiro grau em Goiás;

b) como consequência, sua segunda tese será impugnar os indícios obtidos contra o senador, pois teriam sido ilicitamente coletados”.

Segundo o procurador, o encontro fortuito de provas autorizaria o uso de indícios em apuração autônoma contra o parlamentar.

“No caso Monte Carlo, é aparente a incompetência do juízo federal que autorizou as escutas que flagraram o senador. Na sua origem, a investigação focou pessoas sem foro especial. O alvo eram os peões, não Torres. Casualmente, chegou-se ao senador. Os indícios colhidos contra ele foram então deslocados para o novo juízo competente, o STF”, argumenta Aras.

“A tese defensiva, já anunciada na imprensa, parece consistente. Mas não é um xeque-mate. Tal como a do senador flagrado, as aparências iludem. Não será assim tão fácil mandar esse caso para um pizzaiolo. Nenhuma garantia é absoluta”.

“Aparecer com ‘poker face’ na mídia não lhe trará conforto. Tampouco adianta fechar-se em copas. Na cachoeira de denúncias em que se meteu, cascatas não ajudarão D.L.X.T a manter-se na partida. Sua mão não está nada boa, e sua sorte já foi lançada. O plenário agora é outro e quem dá as cartas é o STF. Quer apostar qual será o resultado? Pode dar zebra. A presunção de inocência o favorece. Mas o antigo tribuno, ex-valete de espadas nas mãos já é uma carta fora do baralho”, conclui o articulista.

(*) Blog do Vlad:

http://blogdovladimir.wordpress.com/

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