Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Locke teme atrelamento do MP-SP a governo

Por Frederico Vasconcelos

O procurador de Justiça Felipe Locke, preterido pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que escolheu o procurador de Justiça Márcio Elias Rosa para chefiar o Ministério Público Estadual nos próximos dois anos, prevê que o órgão será “pouco independente e muito burocrático”.

“Estamos inconformados com essa decisão absolutamente injusta”, diz. Embora Locke tenha sido o mais votado na eleição interna, apresentando-se como candidato de oposição independente, Alckmin preferiu nomear Rosa, apoiado pelo  Procurador-Geral de Justiça Fernando Grella Vieira.

“Hoje, a sociedade não tem um Ministério Público independente. É o sentimento que eu tenho lido nas redes sociais e nas inúmeras mensagens que recebo”, diz Locke.

Ele não faz críticas pessoais ao escolhido. Mas diz que ficará atento à sua gestão. “Nós estamos liderando a oposição. A qualquer falha, iremos denunciar, da maneira legalmente possível”.

Segundo Locke, há um número muito grande de promotores indignados. “Eles estão atentos, vigilantes e preocupados. Ninguém deseja o retorno da imagem de atrelamento do Ministério Público ao governo. No passado, isso rendeu o apelido de ‘República dos Promotores’”.

Locke diz desconhecer os motivos que levaram Alckmin a preteri-lo. “Ele não me conhece pessoalmente, não sabe quais são as nossas opiniões. Nossos projetos foram julgados pela boca de terceiros”, diz.

“Soube pela imprensa que o governador entendeu que nós teríamos uma postura corporativa ou sindicalista. Nunca participei de nenhum sindicato ou de associação”, afirma.

“Nas duas gestões como conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, minha procupação sempre foi zelar pela probidade, tornar o Judiciário absolutamente republicano, combatendo os gastos excessivos, a falta de transparência, os maus julgamentos e os desvios em geral. Me parece que essas qualidades não foram suficientes para a escolha”, diz Locke.

Segundo ele, a gestão reprovada nas urnas foi pouco atuante nas questões sociais. “Nos parece que o Ministério Público não mudará, será pouco operante”.

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