Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Cachoeira: gravações envolvem MP de Goiás

Por Frederico Vasconcelos

O jornal “O Estado de S. Paulo” informa nesta terça-feira (17/4) que o procurador-geral de Justiça de Goiás, Benedito Torres, irmão do senador Demóstenes Torres (GO), e dois promotores do Ministério Público do Distrito Federal deverão ser alvo de investigação do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).

Eles são citados nas conversas telefônicas gravadas durante a Operação Monte Carlo, montada pela Polícia Federal para investigar as ações do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. Segundo o jornal, as conversas mostram Cachoeira solicitando a Demóstenes que peça ao irmão Benedito Torres a indicação de um promotor de Justiça em Goiás que atue de forma a atender o interesse do contraventor.

O assunto foi manchete do jornal “Correio Braziliense“, na edição deste sábado (14/4), sob o título “Demóstenes ofereceu ajuda do MP de Goiás a Cachoeira”. Segundo o mesmo jornal, “interceptações telefônicas da Polícia Federal apontam que o senador goiano Demóstenes Torres (sem partido) garantiu ao bicheiro Carlinhos Cachoeira interferir diretamente em procedimentos internos do Ministério Público (MP) de Goiás, comandado pelo irmão do parlamentar, o procurador-geral de Justiça, Benedito Torres, para favorecer o contraventor”.

O Ministério Público de Goiás divulgou nota oficial no final de semana, em que manifestou “indignação” e “repúdio contra as ilações feitas pelo jornal”. Ainda segundo a nota, o MP de Goiás “não aceita ter seu nome manchado por diálogos desautorizados e proferidos de forma irresponsável pelo Senador Demóstenes Torres”.

Por intermédio de sua assessoria de imprensa, o órgão lamentou que a reportagem “tenha omitido que as investigações que resultaram na Operação Monte Carlo tiveram início no MP-GO, o que mostra o interesse e empenho da instituição no combate a organizações criminosas”.

Nesta terça-feira (17/4), o “Correio Braziliense” informa que “a Corregedoria-Geral do Ministério Público de Goiás abriu ontem investigação para apurar o possível envolvimento de integrantes do órgão citados nas interceptações telefônicas reveladas no último sábado pelo Correio“.

O jornal revela, ainda, que “o próprio Benedito Torres provocou a apuração sobre a suposta ingerência e comunicou seu impedimento em analisar o caso, já que é um dos citados”, e que o corregedor-geral do MP goiano, Aylton Flávio Vechi, pediu ao ministro do STF Ricardo Lewandowski, relator do inquérito da operação Monte Carlo, o compartilhamento de provas “que guardem relação direta ou indireta com integrantes do MP-GO”.

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