Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Toldo: “Corporativismo levou ao isolamento”

Por Frederico Vasconcelos

Presidente eleito da Ajufe quer o retorno da autoestima pelos juízes federais

O presidente eleito da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), Nino Oliveira Toldo, é um crítico da gestão de Gabriel Wedy, que considera “excessivamente corporativa e desnecessariamente agressiva”.

Toldo obteve 48% dos votos válidos, derrotando o candidato da situação,  Roberto Veloso (31,9%). [Veja o post seguinte sobre o resultado das eleições].

Em entrevista que concedeu a Pedro Canário, publicada no site “Consultor Jurídico“no último dia 26/3, Toldo disse que pretende se contrapor ao que Wedy fez nos últimos anos.

Segundo o novo presidente, a estratégia de Wedy de defender a greve dos juízes federais como forma de reivindicação de reajustes acabou por colocar a opinião pública contra a carreira: “Depois de anos de trabalho para a Ajufe chegar a um patamar de credibilidade e respeito perante os interlocutores de assuntos relacionados à magistratura federal, a atual gestão da nossa associação nacional perdeu a capacidade de interlocução e não conseguiu nenhum ganho significativo para os associados”.

A seguir, trechos da entrevista:

A falta de reconhecimento, interno e externo, do trabalho da magistratura faz com que os juízes tenham uma perigosa baixa autoestima. Tudo isso constitui uma gama de problemas que precisam ser discutidos adequadamente. A magistratura precisa ser valorizada em todos os sentidos. Se a sociedade pode — e deve — cobrar a magistratura, em contrapartida deve dar aos magistrados um sentido de carreira, que havia, mas foi perdido.

(…)

A atual diretoria optou por uma condução política excessivamente corporativa e desnecessariamente agressiva, que levou a Ajufe ao isolamento institucional, ao descrédito por parte de importantes interlocutores, à impopularidade e a nenhuma conquista relevante. Valeu a pena? Entendo que não. A Ajufe, nessa gestão, perdeu o rumo, afastando-se de seu papel fundamental, que não é apenas o de defender interesses corporativos, mas também o de lutar pelo aperfeiçoamento das instituições democráticas.

(…)

Tenho grande respeito pelo trabalho da Polícia Federal, instituição que é composta por inúmeras pessoas da mais alta seriedade e comprometimento com o interesse público. O fato é que, tradicionalmente, o Direito Penal, no Brasil, tem funcionado apenas para uma parcela desassistida da população, o que deveria ser motivo de vergonha para nós, como nação. Funda-se aí a falsa crença de que cadeia é para pobre. Vejo em algumas reações a operações da Polícia Federal a manifestação de uma parcela da sociedade que não estava acostumada a ser confrontada com as normas penais.

(…)

Não quero dizer, com isso, que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal não tenham cometido erros em algumas operações. Mas esses erros, quando ocorreram, foram percebidos pelo Poder Judiciário, se não pelo juiz de primeiro grau, pelos tribunais regionais federais ou por tribunais superiores. O que importa ressaltar é que o juiz, dentro desse sistema, não tem compromisso com a acusação ou com a defesa, mas com o processo penal justo. Os juízes federais brasileiros têm consciência disso.

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