Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Gilmar e Lula: desencontro de versões

Por Frederico Vasconcelos

Do editorial da Folha nesta terça-feira (29/5), sob o título “Lula contra Gilmar”, que trata do choque de versões sobre o encontro do ex-presidente da República com o ex-presidente do Supremo:

Tal é a gravidade do evento que reuniu um ex-presidente da República e dois ex-presidentes do Supremo (um deles ainda ministro da corte): se um dia for elucidado, ficará evidente que um (ou dois) dos três próceres faltou com a prudência, se não com a verdade.

Da nota distribuída pelo ex-presidente Lula sobre a reunião com Gilmar Mendes:

Luiz Inácio Lula da Silva jamais interferiu ou tentou interferir nas decisões do Supremo ou da Procuradoria Geral da República em relação a ação penal do chamado mensalão, ou a qualquer outro assunto da alçada do Judiciário ou do Ministério Público, nos oito anos em que foi presidente da República.

Do site “Consultor Jurídico“, em reportagem de Rodrigo Haidar, nesta terça-feira:

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, afirmou nesta terça-feira (29/5) que os vazamentos de informações de que ele viajou a Berlim com despesas pagas pelo empresário de jogos de azar Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, “é coisa de bandido” para constranger o STF diante da iminência do julgamento do processo do mensalão.

(…)

O ministro disse que não se arrepende de ter ido falar com o ex-presidente. “Não tem arrependimento. Até porque as circunstâncias eram muito específicas. Eu tinha uma relação muito específica com o presidente. Tive um excelente relacionamento com ele durante toda a Presidência”.

Do jornalista Janio de Freitas, em sua coluna sob o título “Além das versões”, nesta terça-feira (29/5), na Folha:

O encontro, no escritório de Nelson Jobim, foi em 26 de abril. Por que só passado um mês Gilmar Mendes quis dar à “Veja” sua versão do que Lula lhe teria dito?

Do editorial do jornal “O Estado de S. Paulo” sobre o mesmo encontro, sob o título “Suprema indecência”, nesta terça-feira (29/5):

Ainda que se compre pelo valor de face a inverossímil alegação do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal Nelson Jobim, de que promoveu o encontro do ministro e ex-presidente da Corte Gilmar Mendes com o ex-presidente Lula, a pedido deste, porque ‘gostava muito dele e o ministro sempre o havia tratado muito bem’, o acatamento da solicitação foi um grave lapso moral. O seu ex-chefe (Jobim foi ministro da Defesa entre 2007 e 2011) que encontrasse outra via para transmitir a tardia gratidão ao magistrado.

Do jornalista Raymundo Costa, em artigo publicado nesta terça-feira no jornal “Valor Econômico“, sob o título “A armadilha do mensalão”:

Pouco importa se a iniciativa da conversa foi de Lula –como publicado– ou de Gilmar, como sugerem os petistas (a ideia de que o encontro foi casual ofende a inteligência alheia). O PT e o ministro do Supremo têm um longo contencioso que não recomendava nenhum tipo de conversa secreta neste momento, quando o picadeiro que se arma em Brasília é para abrigar o espetáculo do julgamento do mensalão (…)

Do blog “Para entender Direito“, em comentário de Gustavo Romano, publicado nesta segunda-feira (28/5):

Não há nenhuma proibição legal contra um magistrado encontrar o réu, o autor, seus advogados, ou qualquer outra pessoa que possa ter interesse em um processo. Em alguns países, o magistrado só pode encontrar o advogado de uma parte se o advogado da outra estiver presente. Em outros, não pode encontrar e ponto.

A primeira enquete realizada por este Blog, sob o tema “Acesso a Juízes”, em novembro de 2007, evidenciou uma cautela tomada por magistrados de várias instâncias: só recebem uma das partes interessadas num processo em seus gabinetes, com portas abertas ou na presença do representante da outra parte.

“Para evitar conversas atravessadas, verifico se o pedido está registrado numa petição, protocolizada e juntada ao processo”, disse, na ocasião, um juiz federal.

Cuidado mínimo que faltou no episódio Gilmar e Lula.

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