Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Um encontro que tem dado muito o que falar

Por Frederico Vasconcelos

Sob o título “O caso Gilmar Mendes, Jobim e Lula”, o artigo a seguir é de autoria de Pedro Luiz Pozza, juiz de direito no Rio Grande do Sul e professor da Escola Superior de Magistratura da Ajuris. O texto foi publicado originalmente em seu blog (*).

Tem dado muito o que falar o encontro ocorrido entre o ex-Presidente LULA e o Ministro do STF Gilmar Mendes, patrocinado pelo ex-tudo Nelson Jobim.

Causa estranheza, primeiro, o que um Ministro do STF, em pleno exercício de suas funções, tenha ido fazer num escritório de alguém que, a despeito de suas anteriores funções, esteja em pleno exercício da advocacia em Brasília e, por certo, perante o Supremo Tribunal Federal.

Ainda que um Ministro do STF possa cultivar a amizade com um ex-colega, na medida em que esse último está no pleno exercício da advocacia, soa estranha a visita. O normal seria o advogado procurar o ministro no gabinete desse, e apenas na eventualidade de haver necessidade de conversarem sobre determinado processo, pois é comum um juiz receber um advogado para esse objetivo.

Um Ministro do STF precisa não apenas ser honesto, mas acima de tudo parecer honesto.

Não é à toa, aliás, que o Ministro Marco Aurélio tenha colocado em dúvida, ainda que de forma irônica, a versão do colega Gilmar sobre episódio.

Mas mais reprovável ainda foi a postura do advogado Nelson Jobim, de servir ao ex-Presidente Lula para que ele se encontrasse com Gilmar Mendes no escritório de advocacia daquele.

Uma pessoa que já exerceu inúmeros cargos na República brasileira não poderia prestar-se a agir dessa forma, especialmente encobrir do Ministro Gilmar Mendes a verdadeira razão pela qual ele deveria estar no escritório do ex-colega.

Raposa velha que é, Jobim por certo deveria no mínimo suspeitar das intenções do ex-Presidente Lula ao pedir que ele agendasse o encontro.

Mais provável, pelo passado político de Jobim, e especialmente por ter sido Ministro da Defesa de Lula, que ele tivesse pleno conhecimento das intenções daquele que, desde que eclodiu o escândalo do Mensalão, sustenta que ele não existiu (Lula também deve ainda acreditar em Papai Noel).

A menos que o Ministro Gilmar soubesse do propósito da visita, o que seria ainda mais reprovável, pois de forma alguma poderia pensar que o encontro engendrado por Jobim seria para conversar sobre amenidades.

Por fim, lamentável, se procedente a versão do Ministro Mendes, a postura do ex-Presidente Lula, servindo-se de um intermediário para obter um encontro com um dos juízes que, em breve, participará daquele que talvez seja o julgamento mais importante da história do Supremo Tribunal Federal.

Numa época de grande ativismo do Poder Judiciário brasileiro, especialmente do STF, o que a Corte Suprema menos precisa é que seus Ministros dêem ao povo brasileiro razões para suspeitar de sua honestidade e isenção nesse importante episódio da vida do nosso país.

(*) http://pedropozza.wordpress.com/2012/05/30/o-caso-gilmar-mendes-jobim-e-lula/

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