Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Estevão: “Pago uma dívida que não é minha”

Por Frederico Vasconcelos

Por telefone, do interior da Inglaterra, o ex-senador Luiz Estevão explicou ao repórter Filipe Coutinho, da Folha, porque resolveu fechar acordo com a Advocacia-Geral da União, devolvendo R$ 468 milhões ao erário, por conta dos desvios de recursos da construção do Fórum Trabalhista de São Paulo, em 1992.

“Por incrível que pareça, embora eu negue [o desvio], é melhor pagar e tirar esse aprisionamento”, disse, ao comentar o bloqueio que a Justiça impôs anteriormente ao seu patrimônio para garantir o ressarcimento.

“Tem o ‘devo, não nego e pago quando puder’. Eu sou contrário: não devo, nego e pago sob coação”, afirmou o senador cassado.

Segundo informou o “Correio Braziliense“, os advogados da União comemoraram o acordo feito com o Grupo OK. R$ 80 milhões serão pagos à vista e o restante, R$ 388 milhões, em 96 parcelas de R$ 4 milhões, corrigidas mensalmente pela taxa Selic.

Segundo a AGU, o acordo corresponde apenas a parte da dívida, já que o montante foi calculado com base em critérios de correção utilizados pelo grupo empresarial. O restante, sobre o qual não há consenso, soma R$ 542 milhões. A AGU continuará cobrando esse valor na Justiça.

Para assegurar o cumprimento do acordo, a AGU manterá a penhora de 1,2 mil imóveis e de aluguéis do Grupo OK, que giram em torno de R$ 2,5 milhões por mês.

“O grupo continua não reconhecendo esse valor ou qualquer responsabilidade sobre esse evento. Mas, como a empresa está sofrendo bloqueio de 100% do seu patrimônio, resolvemos nos sentar com a AGU e efetuar o pagamento, para que o grupo volte a atuar na normalidade”, disse ao jornal o advogado do Grupo OK, Marcelo Bessa.

Luiz Estevão disse ao “Correio Braziliense” que está pagando uma dívida que não é dele e que não se trata de devolução de dinheiro.

“Fui empurrado para dentro do processo. Nunca conversei com membro de Tribunal Regional do Trabalho, nunca fui à obra, nunca tive contato com os engenheiros da obra. Não me apropriei de coisa nenhuma. Estou pagando uma dívida que não é minha.”

Segundo o ex-senador, nos últimos meses, a Justiça bloqueou as contas bancárias dos filhos dele. “Isso me lembra os tempos da Inconfidência Mineira, quando foram condenados os filhos e os netos (dos líderes da insurreição), ainda que fossem recém-nascidos.

O acordo será submetido à Justiça Federal para homologação. De acordo com a AGU, o dinheiro está em uma conta controlada pela Justiça e será transferido, assim que autorizado, para o Tesouro Nacional.

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