Frederico Vasconcelos

Interesse Público

 -

Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

PERFIL COMPLETO

Publicidade
Publicidade

Muito além da suspensão do concurso – 2

Por Frederico Vasconcelos

Do corregedor do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador José Renato Nalini, em entrevista ao jornalista Carlos Costa, publicada na edição de junho de 2012 da revista “Diálogos & Debates”, editada pela Escola Paulista da Magistratura:

(…)

O exame de seleção de futuros juízes, por mais que se empenhe na captação dos vocacionados, não deixa de ser avaliação mnemônica. Ou seja: afere-se quem conseguiu decorar textos legislativos, doutrinários e jurisprudenciais.

Isso não é suficiente para alguém ser bom juiz.

Se eu pudesse, entregaria a tarefa de recrutar juízes à Escola da Magistratura, como já disse, a única grande novidade do Judiciário no século XX.

Basta indagar: que empresa prestigiada entrega seu setor de recrutamento a amadores? É o que se faz no Judiciário. Elegem-se membros da Banca Examinadora a partir de antiguidade, homenagens, cota por seção do Tribunal.

Cada integrante participa uma vez, assim a cada concurso o critério é um, com a filosofia, ideologia, formação e história desses examinadores, até mesmo suas idiossincrasias.

Por isso empresas exitosas e os melhores escritórios não têm dificuldade para recrutar bons quadros, enquanto as comissões de concurso de ingresso na Magistratura continuam a lamentar o despreparo dos candidatos.

Ambos: o profissional bem-sucedido na vida privada e o futuro juiz são produzidos pelas mesmas escolas de Direito.

Onde está a verdade? Ou estão certos tanto os Tribunais como os empregadores, que não têm o erário para remunerar seus profissionais?

Blogs da Folha

Categorias

Sites relacionados

Publicidade
Publicidade
Publicidade