Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Entrevista secreta foi a grande derrotada

Por Frederico Vasconcelos

A seguir, avaliação do juiz de direito Marcelo Semer, ex-presidente da Associação Juízes para a Democracia, sobre a decisão do Conselho Nacional de Justiça determinando a realização de nova prova oral com os candidatos não aprovados no concurso do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo. Juiz do TJ-SP, Semer foi um dos primeiros magistrados a alertar para as distorções da entrevista reservada nos concursos públicos.

Os setenta aprovados vão tomar posse. Os reprovados terão uma nova oportunidade. No concurso do Tribunal de Justiça de São Paulo quem saiu derrotada mesmo foi a entrevista reservada –reprovada por ampla maioria.

Demorou, mas a ficha caiu.

A entrevista não é de fato nenhuma novidade. É uma tradição de décadas, mas nem por isso menos equivocada.

No âmbito de um concurso público, não há espaço para uma entrevista secreta que perscrute o íntimo ou o ideológico dos candidatos, porque estes não são critérios para escolha de magistrados.

No estado laico, não há como levar à discussão a religião dos candidatos; no espectro republicano, não há possibilidade de vetos por tutela ideológica ou por preconceito de qualquer origem.

Compatibilidades ou preferências privadas não resistem ao escrutínio de um concurso público.

A única forma de evitar que tais constrangimentos perdurem é levar ao extremo a regra da publicidade do interesse público: o que não pode ser dito em público, não pode ser feito em nome dele.

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