Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Mensalão: ganhos e perdas para Barbosa

Por Frederico Vasconcelos

Em relatório que disponibilizou em maio deste ano, o ministro Joaquim Barbosa já apontava o foco principal da investigação sobre o mensalão: “No julgamento desta ação penal, serão analisados apenas os supostos desvios de recursos da Câmara dos Deputados e do Banco do Brasil”.

Com a votação alcançada nesta quinta-feira (27/9) –por maioria de seis votos, oito réus foram condenados por corrupção– o Supremo Tribunal Federal detonou a tese do caixa dois, ponto central da defesa dos réus.

“A tese do caixa dois eleitoral foi empregada pelo ex-presidente Lula e pelo PT desde o início do escândalo para explicar os pagamentos feitos pelo esquema, que os petistas organizaram com a ajuda do empresário Marcos Valério Fernandes de Souza”, registra a Folha em sua edição desta sexta-feira (28/9).

“Se o dinheiro é público, não há como falar em caixa dois”, observou em aparte o presidente do STF, ministro Ayres Britto.

A obtenção da maioria para derrubar a tese central da defesa custou a Barbosa o desgaste dos embates com o ministro revisor, Ricardo Lewandowski, e das intervenções críticas de outros ministros.

Nesta quinta-feira, o ministro Marco Aurélio insinuou a possibilidade de Barbosa não ser eleito presidente do STF, referindo-se às discussões no julgamento do mensalão.

A tradição é a eleição do ministro mais antigo na Corte e que ainda não exerceu a presidência. Mas Marco Aurélio alertou que essa escolha não é automática: “Não é por aclamação. As cédulas são distribuídas e há votação”.

No mesmo dia, o relator deu o troco. Em entrevista ao site do jornal “O Globo“, Barbosa definiu Marco Aurélio como “um dos principais obstáculos a ser enfrentado por qualquer pessoa que ocupe a presidência do Supremo”.

Barbosa afirmou dever a sua ascensão profissional “a estudos aprofundados”. “Jamais me vali ou tirei proveito de relações de natureza familiar.” Marco Aurélio é primo de Fernando Collor, que o indicou para o STF.

O incidente envolvendo ministros do Supremo de certa forma lembra o estilo “bateu, levou”, que marcou o período do Presidente Collor.

Obs. Texto corrigido às 9h12.

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