Frederico Vasconcelos

Interesse Público

 -

Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

PERFIL COMPLETO

Publicidade
Publicidade

O que o leitor espera de Joaquim Barbosa

Por Frederico Vasconcelos

Expectativa é favorável, apesar da imagem de “salvador da pátria” e de intolerante

Para muitos leitores, o ministro Joaquim Barbosa assume a presidência do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça com firmeza e disposição para enfrentar resistências, introduzir mudanças e corrigir distorções no Judiciário.

A imagem de Barbosa é positiva e há grandes expectativas em torno de sua gestão. Mas há dúvidas se ele terá êxito, principalmente por causa de seu temperamento difícil, impressão que foi reforçada nas sessões do julgamento do mensalão.

É o que sugerem as respostas da consulta feita por este Blog, ao lançar, no último dia 18, a segunda questão na série “Entrevistas Coletivas“:

– O que espera da gestão do ministro Joaquim Barbosa na presidência do Supremo Tribunal Federal e do Conselho Nacional de Justiça?.

A seguir, alguns trechos selecionados:

Acredito que sua gestão será marcada por um peculiar modo próprio de conduzir o Poder Judiciário, revelado no caráter forte do ministro”, diz João Pedro A. Lima da F. Carvalho. “Torço para que o ministro possa encontrar tranquilidade para conduzir o STF e o CNJ, sob pena de sua gestão ficar marcada, também, pela intransigência”, diz Carvalho.

“Espero que exerça a presidência do STF com a lucidez, ponderação e espírito necessários para fazer fluir as decisões colegiadas do STF”, diz Sergio Pinheiro Lopes.

“Que o futuro Presidente do STF mantenha-se avesso à hipocrisia dos rituais daquela Corte. Que seu exemplo de objetividade nos julgamentos seja também seguido”, são os votos de Ana Lúcia Amaral.

“Torço para que o Joaquim Barbosa presidente seja o mesmo Joaquim Barbosa de sempre, sem medo, sem hipocrisia, avesso à demagogia”, diz Marcelo Fortes.

“Espero que o STF seja administrativamente comandado por um ministro que não tenha medo da Presidente da República”, diz Marco Aurélio Leite da Silva.

Marilse Medeiros espera que haja “transparência e atitudes republicanas” nos dois anos em que Barbosa comandará o STF e o CNJ.

“Espero que ele realize uma reforma administrativa do Judiciário, que reduza os cargos em comissão e funções de confiança ao estritamente necessário”, diz Delfino Rosa.

São muitos os que apostam nos quesitos moralidade e combate à impunidade, graças a características da personalidade de Barbosa.

“Admiro muito a coragem do ministro e acredito que esse seu lado polêmico tem mudado a cara do Judiciário. Tem mesmo que moralizar e moral para isto ele tem de sobra”, diz Gervaldo.

“Poderemos, sim, virar a página da impunidade neste país, onde cadeia sempre foi feita para negros,mulatos e brancos pobres”, diz Ademar Gomes. Para ele, o “jeito enérgico” de Barbosa é “necessário para a moralização”. “A partir de então começaremos á por o pé no primeiro mundo”, imagina Gomes.

“Se o ministro Joaquim Barbosa conseguir com que o Judiciário julgue boa parte das ações de improbidade administrativa já terá valido a pena sua gestão”, diz Rodrigo Aquino.

“Com certeza será um dos melhores presidentes do STF. Quem tem medo do Joaquim Barbosa?”, pergunta Pedro.  “Só corruptos não vão gostar dele”, “responde” José Arnaldo Gomes, para quem Barbosa “tem todas as qualidades pra ser o próximo presidente do Brasil”. A sugestão é apoiada por Maurílio, que acrescenta: “Precisamos de pessoas honestas e competentes como o Ministro Barbosa também no Executivo e no Legislativo”.

Maria Aparecida Padua concorda com Maurílio e extrapola: “O Brasil precisa trocar todos de Brasília, pelo Senhor” [pelo ministro].

Na mesma linha segue Pedro Paulo Bravim: “Se todos os políticos tivessem a mesma honradez, o Brasil seria o mais rico país do mundo, porque não ia haver corrupção”.

Pedro Pozza faz votos de muito sucesso ao ministro Joaquim Barbosa. E Márcia Cristina D. Oliveira deseja “que a história dele seja exemplo para o Brasil”.

Entre os leitores, há os admiradores com preferências localizadas. “Desejo saudar o ministro por sua independência e altivez, mas sobretudo por sua paixão pela Bahia”, diz Emmanuel Matta. E há aqueles com sugestões para mudanças específicas: “Roga-se ao novo presidente o banimento do nosso ordenamento jurídico do pernicioso, nefasto caça-níqueis Exame de Ordem”, pede Vasco Vasconcelos, ao referir-se à Ordem dos Advogados do Brasil.

O relacionamento do ministro com advogados é um dos pontos criticados por leitores. “Pelo tratamento que vem dando à advogados e até mesmo a outro ministros, não se espera boa coisa não. Vai ter polêmica e truculência à vontade”, diz Marco Barreira.

Beto Silva prevê “intolerância como estratégia de intimidação política, já que o STF é um tribunal político. Nada de etiquetas…”

Augusto Flávio Vieira diz que o ministro Joaquim Barbosa “não pode se considerar o salvador da pátria, o ‘sassa mutema’ do século 21”. Segundo Vieira, “as agressões dos ministros e as divergências nos mostram que a justiça brasileira vive na berlinda”.

“Joaquim Barbosa não é nada mais nada menos do que um grande marqueteiro, que diante da aclamação popular e da condição de relator da ação do mensalão firmou uma postura de ‘salvador da Nação’ que supostamente está sendo impedido pelos demais de aplicar o rigor da lei”, diz Marcos Alves Pintar.

Para Helio Mario de Souza, Barbosa “irá viver na polemica e no embate e divergências com os ministros”. Igualmente, Alexandre aposta que “as polêmicas de Joaquim Barbosa terão mais espaço na mídia do que as intenções do ministro em prol da ética e transparência no Judiciário”. Jorge Alberto prevê “muito holofote e pouca justiça”.

Marcondes Witt acredita que Joaquim Barbosa será duramente criticado pela imprensa se, quando estiver dirigindo os trabalhos da Corte e for contrariado, mantiver com outros ministros o comportamento que teve com Marco Aurélio e Ricardo Lewandowski.

“O diabo é saber se o ministro irá amadurecer e virar um Ayres Britto melhorado ou se persistirá nessa versão infantilizada de salvador da pátria indignado e grosseiro: uma espécie de Gilmar Mendes piorado e sem beicinho”, define Gustavo.

E prossegue Gustavo: “Esperemos que o ministro não se entregue ao tolo papel de ‘herói das massas’ e trabalhe, duro, para transmitir aos cidadãos brasileiros a importância de instituições sólidas e baseadas na lei”.

Segundo Nelson André Hofer de Carvalho, Joaquim Barbosa “foi, para os petistas, a ‘ovelha negra’, que, premiado com a entrada pelas portas dos fundos do STF, a exemplo de Tofoli, acabou decepcionando-os”.

“Eu só espero que o STF julgue o chamado ‘mensalão do PSDB’ com a mesma jurisprudência, os mesmos critérios, a mesma retórica e as mesmas ênfases com que julgou o chamado ‘mensalão do PT’. E que o faça com a mesma rapidez e eficiência”, diz Honório.

Essa também é a prioridade de Joseph Nair (apoiado por Eloi Avila):  “Espero que o ministro corrija o vício de origem desse julgamento, revendo de forma clara a maneira como foi colocado o mensalão do PSDB.  Se o mensalão petista foi julgado pelo Supremo, por que o mensalão do PSDB mereceu o desmembramento, defendido inclusive pelo ministro Joaquim. Será que nosso batman é a contraface de um curinga partidário?”

“Tomara que o ministro Barbosa [promova] a justiça que todos os brasileiros anseiam”, conclui José A. de Castro Macedo.

Blogs da Folha

Categorias

Sites relacionados

Publicidade
Publicidade
Publicidade