Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Muito além de um rodízio na Suprema Corte

Por Frederico Vasconcelos

A imagem das autoridades perfiladas enquanto Hamilton de Holanda, convidado pelo ministro Joaquim Barbosa, executava o Hino Nacional ao bandolim no plenário do STF remete a um fato distante, noticiado durante a ditadura militar: um cidadão havia sido preso porque tocara o Hino Nacional num cavaquinho, no meio da rua.

A imagem do ministro Luiz Fux, do STF, tocando guitarra na festa em homenagem a Barbosa, desfaz o mito de que os magistrados devem manter permanentemente a circunspecção que a toga obriga nos tribunais. No Rio Grande do Sul, por exemplo, há uma banda de rock formada por jovens juízes. Nas festas de fim de ano no tradicional Bar Brahma, em São Paulo, magistrados da Justiça Federal cantam e tocam instrumentos musicais.

O bandolim de Holanda, a guitarra de Fux e a presença em plenário dos artistas convidados pelo novo presidente do STF talvez tenham, num único dia, obtido o que a TV Justiça não consegue há anos: atrair, de fato, o cidadão comum.

A ministra aposentada do STF Ellen Gracie deu a dimensão da posse: “Quando o ministro Joaquim ingressou no Tribunal já foi um momento muito importante e, naquela ocasião, eu assinalei um fato que acho que deve ser rememorado, que é o fato de eu ter sido a primeira mulher a presidir o STF e, portanto, ter vencido um primeiro preconceito”.

O repórter Felipe Seligman, da Folha, revela que na festa de Joaquim o novo vice-presidente, Ricardo Lewandowski, foi cumprimentado por ativistas do movimento negro, por ter sido relator de um dos casos que declararam a constitucionalidade das cotas raciais.

“He’s the brazilian Obama [Ele é o Obama brasileiro]”, referiam-se a Barbosa os amigos que vieram da França, Alemanha e Estados Unidos.

Joaquim Barbosa viajou aos Estados Unidos para assistir a posse de Obama. Deve saber, como ninguém, a relevância dos dois acontecimentos.

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