Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Recusas ao beija-mão para chegar ao STF

Por Frederico Vasconcelos

Uma semana depois de publicada a entrevista em que o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, revelou à jornalista Mônica Bergamo, da Folha, os apoios que pediu à sua candidatura ao STF, o assunto continua rendendo.

1) O jornalista Elio Gaspari relembra, neste domingo (9/12), que o ministro Joaquim Barbosa foi convidado para o STF por Lula, depois de um encontro acidental com Frei Betto, que lhe pediu currículo e cartão, e de uma longa conversa com Márcio Thomaz Bastos, que não o conhecia:

“O ministro discutiu a nomeação em pelo menos duas ocasiões com Lula, mencionando prós e contra, e ele resolveu indicá-lo. Isso foi o que houve. Outras versões são produto da fantasia auricular de Brasília”.

2) Em artigo na revista “CartaCapital“, sob o título “O beija-mão de Fux”, Wálter Fanganiello Maierovitch, magistrado aposentado, relata:

Recordo uma antiga conversa com o juiz Márcio José de Moraes [na foto]. Perguntei se ele seria escolhido para ocupar uma vaga aberta no Supremo. Moraes era um jurista de mão cheia, juiz independente que, em pleno regime de exceção havia, por corajosa sentença e como magistrado de primeiro grau, condenado a ditadura pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog. A resposta, que guardo até hoje e que contei e recontei aos meus filhos bacharéis em Direito:

“Walter, não tenho nenhuma chance de ir para o Supremo, pois me recuso a fazer campanha, lobby e pedir apoio para políticos. Se algum presidente da República achar que tenho mérito, que me escolha”.

3) Em comentário enviado ao Blog, no post sobre a entrevista de Fux, Homar Cais, ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, registra:

A notícia recorda-me o inigualável jurista Theotonio Negrão. Procurado pelo saudoso Geraldo Ataliba que queria iniciar uma campanha para que fosse nomeado ao Supremo respondeu: o convite para o Supremo é irrecusável. A isto, porém, aspira-se, não se postula. Não autorizo ninguém a pedir por mim.

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