Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Sartori articula apoio para uma vaga no STF

Por Frederico Vasconcelos

Presidente do TJ-SP fez contatos com o ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM)

O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, desembargador Ivan Sartori, está em campanha para conquistar apoios políticos, pretendendo obter a indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal.

Entre os contatos mantidos, Sartori esteve duas vezes com Gilberto Miranda: no escritório do ex-senador e em jantar na casa do peemedebista, levado pelo ministro aposentado do STJ Massami Uyeda. Oriundo do TJ-SP, tendo se aposentado em novembro último, Uyeda apresentou o nome de Sartori a Gilberto Miranda.

Gilberto Miranda está envolvido na Operação Porto Seguro, que investiga a participação de funcionários da Advocacia-Geral da União, diante da suspeita de esquema de venda de pareceres para regularizar a situação da ilha das Cabras, no litoral norte de São Paulo, onde o ex-senador construiu uma casa e um heliporto.

Os rumores sobre articulações de Sartori, de olho numa cadeira no STF, circulam desde meados do ano.

Conforme o Blog publicou em 30 de julho último, a assessoria do tribunal negou, naquela ocasião, a informação publicada na revista “Veja“ de que Sartori havia estado naquele mês em Brasília “cabalando” apoios como candidato à vaga do ministro Cezar Peluso, que se aposentaria em setembro.

Segundo a revista, Sartori “foi ao gabinete do vice-presidente da República, Michel Temer, com o curioso argumento de que a vaga de Peluso deve ser preenchida pelo Judiciário paulista, do qual ele seria o mais representativo. Ouviu em resposta que Dilma Rousseff só fará a escolha no fim do ano. E que as recentes polêmicas que se envolveu com o Conselho Nacional de Justiça dificultam o seu nome”.

O presidente do TJ-SP publicou, então, o seguinte comentário no Facebook:

“Informo aos amigos do face que a noticia constante da Veja última, sobre minha pessoa, é matéria plantada, na medida em que nunca estive no gabinente da vice-presidência da República e nunca falei com o professor Temer sobre candidatura minha ao STF”.

Neste final de semana, o tribunal voltou a informar que, naquela ocasião, Sartori conversou em Brasília com o advogado-geral da União, ministro Luís Inácio Adams; com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, e com a ministra Ideli Salvatti e outras autoridades, mas não conversou com o vice-presidente Michel Temer.

No último dia 14, um juiz enviou mensagem ao Blog, fazendo menção àquele post: o assunto voltou à tona porque o magistrado havia sido informado dos contatos de Sartori com Gilberto Miranda.

“Era mais fácil fazer campanha para o STF com Temer do que com Gilberto Miranda, não?” –ironizou o magistrado.

Neste domingo, ao comentar as articulações do presidente do TJ-SP, o jornalista Elio Gaspari publicou em sua coluna na Folha: “Sartori recrutou o notável ex-senador Gilberto Miranda, que tentou atrair o infectologista David Uip, da equipe médica da doutora Dilma”.

Sartori está recebendo em seu Facebook manifestações de apoio à pretensão de ser ministro do Supremo e mensagens de simpatizantes que preferem sua permanência à frente do tribunal paulista.

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