Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Grupo arrecada peças íntimas para presas

Por Frederico Vasconcelos

O Grupo de Estudos e Trabalho Mulheres Encarceradas começa em São Paulo uma campanha de arrecadação de roupas íntimas e absorventes para mulheres presas. O material arrecadado será entregue diretamente às reclusas no Dia 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres.

Segundo o movimento, a população prisional feminina corresponde a 7% da população penitenciária, mas a taxa de encarceramento feminino supera muito a masculina. A principal causa do aprisionamento em massa das mulheres é a lei de drogas.

Nota divulgada pelo grupo afirma que “pobres, negras e principais ou únicas responsáveis pelo sustento da família, o comércio ilícito dos entorpecentes constitui fonte de renda para o provimento do sustento dessas mulheres e de seus dependentes”. Na cadeia do tráfico, as mulheres são alocadas nos postos de trabalho mais suscetíveis à atividade policial: o empacotamento e o leva e traz de mercadorias.

Segundo o movimento, nas prisões e delegacias de São Paulo as mulheres presas são negligenciadas pelo Estado. “A situação torna-se ainda mais humilhante para essas mulheres quando a privação em questão diz respeito às suas roupas íntimas. Muitas das mulheres encontram-se somente com a roupa do corpo e até, às vezes, estão sem calcinhas”.

Audiência Pública promovida pelo Núcleo Especializado da Situação Carcerária da Defensoria Pública de São Paulo, realizada em novembro último (*), e o mutirão carcerário do Conselho Nacional de Justiça constatou que o Estado nunca forneceu roupas íntimas para mulheres em situação de prisão, muito embora seja seu dever. Não fornece sequer, aos homens e mulheres presas, material de higiene (sabonete, pasta de dente, escova, absorvente etc.)

A Lei de Acesso à Informação permitiu constatar que o gasto anual por pessoa presa chega, em alguns casos, a ser menos de R$ 13,00 por ano.

Mais informações:

http://bit.ly/campanhaGETMulheresEncarceradas

(*) Audiência Pública sobre “O fornecimento de produtos básicos de assistência material nos estabelecimentos prisionais no Estado de São Paulo”.

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