Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Empresas privadas patrocinam jogos de juízes

Por Frederico Vasconcelos

Anamatra divulga em seu site os patrocinadores de competições esportivas, e diz que  a magistratura “jamais se deixou influenciar pelos colaboradores de eventos”

 

 

Em nota pública contra a proibição de patrocínio privado a eventos de magistrados –conforme proposta que voltará a julgamento na próxima terça-feira (19/2) no Conselho Nacional de Justiça–, a Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) sustentam que “os magistrados brasileiros não compactuam com qualquer tipo de desvio de finalidade e são favoráveis ao estabelecimento de regras que proporcionem ampla transparência”.

“Não se pode inviabilizar o funcionamento legítimo dos foros de discussão, seminários científicos e debates jurídicos promovidos pelas entidades de classe, nos quais são envolvidos diversos segmentos da sociedade civil”, afirmam as associações.

A nota não menciona o patrocínio privado a competições esportivas realizadas por associações de magistrados.

Em declarações ao Blog, no último dia 12/2, o presidente da Anamatra, Renato Sant’Anna, afirmou que os eventos da entidade são transparentes.

A entidade divulga em seu site que os “Jogos Nacionais da Anamatra 2012”, realizados de 31 de outubro a 3 de novembro em Foz do Iguaçu (PR), no Bourbon Cataratas Convention, receberam apoio das seguintes empresas e instituições:

Cocamar – Cooperativa Agroindustrial, Sicredi (Sistema de Crédito Cooperativo), Viapar (Rodovias Integradas do Paraná S/A), Usacucar (Usina Santa Terezinha), Trans-Panorama, Sicoob (Sistema de Cooperativas de Crédito do Brasil), Cesumar (Centro Universitário de Maringá), Sistema Fecomércio do Paraná (Sesc/Senac), Honda, Itaipu Binacional e Oi.

No ano passado, os juízes que disputaram os jogos (corridas, futebol, natação, tênis e tiro esportivo, xadrez, entre outras modalidades) pagaram taxa de inscrição de R$ 250,00.

As regras do evento permitiam a publicidade dos patrocinadores, com a inscrição de nomes ou logomarcas nos uniformes dos atletas.

Estão disponíveis no site da entidade os locais e os patrocinadores públicos e privados dos eventos esportivos nacionais promovidos em anos anteriores:

– Os jogos nacionais dos juízes do trabalho em 2011 foram realizados em Porto de Galinhas (PE), com o apoio da Prefeitura do Ipojuca, Real Hospital Português de Beneficência, Silvana, Ambev, Qualicorp, Empetur, Governo do Estado de Pernambuco, Oi, Banco do Brasil e Chesf.

– Os jogos nacionais de 2010 foram disputados em Bento Gonçalves (RS), no Clube de Caça e Pesca Santo Huberto, com patrocínio da Tacchini – Sistema Integrado de Saúde, Churrascaria Ipiranga, Tratoria Primo Camilo, Vinícola AlmaÚnica, Dal Pizzol (Vinhos Finos), Casa Di Paolo, Don Giovanni (vinhedos e pousada), Geisse, Tramontina, Oi, Stella Artois e Banco do Brasil.

– Em 2009, os jogos nacionais da Anamatra realizaram-se em Bonito (MS), no Zagaia Eco Resort, com apoio do Banco do Brasil, Oi, Qualicorp, Enersul e Governo do Mato Grosso do Sul.

Na nota pública contra a proposta para disciplinar a presença de juízes em eventos patrocinados apresentada ao CNJ pelo corregedor nacional de Justiça, Francisco Falcão, as associações de juízes afirmam que a magistratura brasileira “jamais se deixou influenciar pelos colaboradores de eventos organizados pelas entidades de classe”.

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