Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Uma vida dedicada a ressocializar presos

Por Frederico Vasconcelos

A Ajuris [Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul] homenageou Maria Tavares, a assistente social que, em 1948, escreveu o livro “Estudos e Sugestões sobre o Reajustamento de Deliquentes”.

Aos 101 anos de idade, ela foi recebida nesta quinta-feira (4/3) na Escola Superior da Magistratura da Ajuris, e aplaudida de pé, na cerimônia de relançamento do livro. Ao lado dela estava a sua família, que inclui também os “anjos”, assim chamados por ela, que abriga no Patronato Lima Drummond.

Como reconhecimento de seu trabalho dedicado à ressocialização de apenados, a Ajuris promoveu um seminário sobre o tema “Maria Tavares: uma mulher adiante do seu tempo”.

O presidente da Ajuris, Pio Giovani Dresch, disse que a dedicação de Maria Tavares deveria ser “um marco para que, a partir de agora, passássemos a nos esforçar de modo mais organizado e com empenho maior na busca da ressocialização dos presos”.

O filho de Maria Tavares, Carlos Eduardo Aguirre da Silva, lembrou que, ainda jovem, acompanhou a luta da mãe no tempo do “Cadeião do Gasômetro” e as manifestações pela demolição daquele local, seguidas pela esperança de mudar para o Presídio Central.

“Agora, passados 60 anos, a proposta do Governo é de implodir o Central. Passados 60 anos, o Estado não evoluiu. Nós todos como sociedade temos aqui um trabalho hercúleo, porque ninguém tem apoio para construir um presídio”, afirmou Carlos Eduardo.

Maria Palma Wolff, pós-doutora em Direitos Humanos pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUCSP), observou que o trabalho de Maria Tavares começou antes mesmo da Declaração Universal dos Direitos Humanos ser proferida e quando a Organização das Nações Unidas (ONU) nem havia sido criada.

“Ainda hoje não conseguimos transformar esse conhecimento em propostas de intervenção para discutir a situação dos presídios”, disse Wolff.

O desembargador Paulo Rangel, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, se referiu à Maria Tavares como doutora. “Doutora, sim, por ser, há mais de 50 anos a, maior conhecedora de ressocialização de presos do País.”

O livro de Maria Tavares estará disponível no site da Ajuris:

www.ajuris.org.br

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