Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Quem vai pedir desculpas a Eliana?

Por Frederico Vasconcelos

Na sessão em que o Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo afastou cautelarmente, por unanimidade, o desembargador Arthur Del Guércio Filho, o presidente Ivan Sartori foi elogiado por haver pedido desculpas em nome do Poder Judiciário aos advogados que denunciaram o magistrado acusado de solicitar dinheiro.

Sartori homenageou a coragem de advogados como Nagashi Furukawa e Clito Fornaciari e a disposição do desembargador Samuel Júnior, que não se omitiram, levando os fatos graves à presidência.

Resta saber quem vai pedir desculpas à ex-corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon.

Ela sofreu forte campanha de descrédito iniciada pela Associação Paulista de Magistrados (Apamagis) em outubro de 2010, sob a alegação de que colocara toda a magistratura de São Paulo sob suspeição, ao afirmar que uma das partes num processo teria “molhado a mão” de um juiz.

A declaração foi dada um ano antes de Eliana haver mencionado os “bandidos de toga”, e ela não se referia a Del Guércio.

Exigiram, durante meses, que a corregedora revelasse o nome do juiz a quem uma das partes teria “molhado a mão”, mesmo sabendo-se que ela não poderia identificá-lo publicamente. Da mesma forma, as suspeitas contra Del Guércio eram conhecidas no tribunal desde 2006, mas isso também não autorizava a exposição antecipada de seu nome pela Corte.

Quando os membros do Órgão Especial, chocados e consternados diante dos fatos estarrecedores, decidiram quebrar o sigilo do processo e afastar o presidente de uma das câmaras, Sartori afirmou que se trata de episódio isolado, incapaz de tisnar a imagem do tribunal.

Ninguém duvida disso.

O mesmo entendimento deveria ter prevalecido quando Eliana apontou, lá atrás, o outro caso isolado e disse, em entrevista no “Roda Viva”, que não generalizara, pois era magistrada de carreira e entendia que a corrupção no Judiciário é mínima.

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