Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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O limitado lobby das medalhas de Minas

Por Frederico Vasconcelos

Segundo o deputado Fernando Ferro (PT-PE), “compromete a imagem do Supremo Tribunal Federal seu presidente participar de homenagem no palanque do partido que será julgado por ele no futuro”.

Em comentário na coluna “Painel” da Folha, nesta quarta-feira (24/4), Ferro se refere à Medalha da Inconfidência, que o ministro Joaquim Barbosa recebeu do governo de Minas Gerais no último dia 21/4.

Não se sabe se o parlamentar petista também entende que a imagem da presidente Dilma Rousseff ficou comprometida ao receber do governador tucano Antonio Anastasia a mesma condecoração, em 2011.

Se o deputado pernambucano, como sugeriu ao jornal, realmente acredita que a medalha concedida a Barbosa terá alguma influência no julgamento do mensalão mineiro, ou mensalão tucano, pode relaxar. Tendo assumido a presidência do STF, ele não é mais o relator do processo. E dificilmente voltará a ser, porque o acervo dele vai para o sucessor do ministro Ayres Britto.

Mas se desconfia que as medalhas mineiras têm o poder de alterar os votos dos ministros do STF em eventuais processos sobre as administrações Aécio Neves e Antonio Anastasia, o parlamentar deve ficar preocupado.

No mesmo dia em que Barbosa recebeu o Grande Colar, a também ministra do STF Rosa Weber era agraciada com a Medalha da Inconfidência.

Já foram homenageados com a Medalha da Inconfidência os ministros Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Dias Toffoli.

A mineira Cármen Lúcia coleciona treze medalhas recebidas do governo de Minas Gerais, de secretarias de Estado e de órgãos como Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e Polícia Civil daquele Estado. E ninguém acredita que essas condecorações mudem suas convicções.

Em Minas, as medalhas oficiais são usadas em abundância como instrumento político para aquecer a fogueira das vaidades e sugerir maior prestígio a homenageados e homenageantes.

A prática é tão disseminada naquele Estado, que a Justiça Federal em Minas Gerais chegou a conceder medalha a um doleiro.

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