Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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PEC 37 descompensa controles, diz CNJ

Por Frederico Vasconcelos

Nota Técnica afirma que proposta reduz eficácia do combate à criminalidade.

O Conselho Nacional de Justiça aprovou, por unanimidade, o envio ao Congresso Nacional de Nota Técnica contra a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição 37 [veja aqui a íntegra].

Segundo o documento, a PEC 37 “reduziria a eficácia do combate ao fenômeno da criminalidade, além de ser contrária ao interesse público e à ordem constitucional vigente”.

Formulada pelo Deputado Federal Lourival Mendes (PTdoB/MA), a PEC 37 prevê a alteração do artigo 144 da Constituição Federal para assegurar somente às polícias a competência para conduzir investigações criminais. Dessa maneira, o texto afetaria a titularidade da ação penal reservada ao Ministério Público.

Segundo o CNJ, “a proposta contida na PEC 37 dimensiona e eleva a patamares insustentáveis os poderes da polícia judiciária e, como consequência, subestima e descarta a capacidade de atuação de outros órgãos públicos, como, por exemplo, a Receita Federal, sobretudo nos crimes tributários; as agências reguladoras, sobretudo nos delitos contra as relações de consumo e contra a economia popular; os tribunais de contas, sobretudo na identificação dos crimes contra a administração pública; o Banco Central do Brasil, sobretudo nos crimes contra o sistema financeiro nacional; a Comissão de Valores Mobiliários e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), sobretudo nos delitos contra o mercado de valores mobiliários, nos crimes financeiros e nos crimes de lavagem de bens, entre outros. A proposta descompensa todo o sistema de controles públicos”, afirma a nota.

A sugestão de enviar uma nota técnica ao Congresso foi apresentada pelos conselheiros Gilberto Martins e Wellington Saraiva, na sessão desta terça-feira, com apoio do presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa, que assina o documento.

Martins ressaltou que, com relação aos crimes comuns, apenas 11% das ocorrências são convertidas em investigações. “Impedir que não apenas o Ministério Público, mas outras instituições que têm poder de controle no sistema criminal, possam também investigar, é altamente danoso ao sistema de Justiça e à sociedade”, afirmou o conselheiro.

Saraiva destacou que apenas cerca de 8% dos homicídios são apurados atualmente pelas polícias. “A PEC 37 aumenta a ineficiência do sistema criminal brasileiro. Como podemos dar privatividade para apurar os crimes a um órgão que não tem condições de investigar em níveis adequados?”, questiona o conselheiro.

http://www.cnj.jus.br/images/imprensa/nota_tecnica_pec_37.pdf

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