Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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“Grito das ruas é mais que sinal de alerta”

Por Frederico Vasconcelos

Sob o título “Ânsia de crescer”, o artigo a seguir é de autoria do desembargador Edison Vicentini Barroso, do Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele assina o texto na condição de “magistrado e cidadão brasileiro”.

 

Demorou, mas aconteceu. O povo nas ruas, a traduzir sua indignação. Quem diria… A blindagem do desgoverno brasileiro começa a ceder. Nada é para sempre; nem mesmo o desplante dos que se supõem acima do bem e do mal.

Afinal, a máscara caiu. O jogo de cena dum País maravilhoso, a todos nós imposto, rende-se ao compasso da dura realidade brasileira, mais que pressentida pela população.

Acorda Brasil, este o cântico das ruas, nuas da tal felicidade apregoada pela chamada classe política.

A Política tem de ser outra, a da honradez – comprometida com a ética e a moral.

Emerge, aos poucos, a brasilidade madura, a não mais se contentar com o discurso populista e bem orquestrado, propositalmente feito para seduzir e enganar.

Tudo tem termo… Até a ignorância popular.

Ao que parece, aos tais governantes de ocasião, versados no serão dos discursos hipócritas bem elaborados, doravante, será mais difícil a arte de iludir.

O povo quer e exige mais… O povo quer paz, a se lhe revelar nas pequenas grandes coisas do dia-a-dia.

Numa educação de verdade; numa saúde consistente; numa segurança que vá além de números estatísticos e incompreensíveis; numa Justiça efetivamente justa; enfim, numa vida que lhe dê a confiança de chamar de sua.

O brasileiro tem fome da coisa certa, farto de manipulação. Todos queremos mais e melhor, à distância da chaga da corrupção.

Mais que os outros, a juventude deste País pede dias melhores, horizontes mais dignos, pessoas mais sérias, que lhes não frustrem a esperança na pátria edificada sobre o alicerce inamovível da vergonha na cara e do pudor sempre presente.

O que nasce do povo vem do povo. O grito das ruas é mais que sinal de alerta. É um despertar da consciência coletiva, há muito aprisionada pela inércia em face da sucessão de abusos de quem haveria de bem representá-la.

Há como que tempos novos, de impositiva renovação geral. E ai de quem os conteste… No turbilhão da evolução das coisas da vida, serão levados de roldão, submetidos à força do progresso avassalador.

Mais que de reflexão, o momento é de ação construtiva, de mudança positiva rumo a uma sociedade melhor. Não há como impedir o determinismo da transformação da dinâmica social. O que era silêncio virou alarido; o que era omissão fez-se ação enérgica – em que pesem os distúrbios duma minoria descompromissada com as reais finalidades do movimento popular.

Soaram as trombetas, ecoaram vozes que dormiam.

E não se enganem os oportunistas de plantão, que àquelas não calarão.

Não mais os desmandos impunes; não mais os benefícios exclusivistas; não mais o cabresto arrefecedor do ânimo popular.

É hora de lutar, pacificamente, por um futuro melhor, mais condizente com um país de verdade. É hora de perseverar, na busca de objetivos que mudem a cara do Brasil.

Quem dormia, qual criança, acordou, qual adulto.

A se nutrir do alimento substancioso da moral social.

Eta povo brasileiro. Até então pequenino, fez-se grande e descobriu sua força.

Eta brasileiro. Até então menino, fez-se adulto, redescobrindo-se no outro.

Eta Brasil altaneiro, decantado pelo vozerio das ruas cobertas da sã indignação.

Enfim, uma só pujante voz, a dar real significado ao destino elevado desta grande Nação.

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