Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Liderança de Sartori e riscos da autopromoção

Por Frederico Vasconcelos

O Tribunal de Justiça de São Paulo informa no noticiário em seu site:

O desembargador Sérgio Rui da Fonseca acompanhou hoje (28) um grupo de servidores [foto] que veio à Presidência do Tribunal de Justiça entregar ao presidente Ivan Sartori um complemento à lista de 11 mil assinaturas de apoio à gestão na condução do Poder Judiciário paulista, entregue no último dia 3. Nessa ocasião, o presidente perguntou se não existiam assinaturas em duplicidade. Os servidores levaram cópia da lista para a checagem e, hoje, retornaram com mais assinaturas. Segundo eles, agora são 20.237 nomes.

Há um movimento entre magistrados e servidores a favor da reeleição de Sartori, que introduziu importantes mudanças no tribunal –entre elas a transparência numa Corte tradicionalmente fechada e o diálogo direto com magistrados de primeiro grau e com o funcionalismo.

Sartori rompeu privilégios e mostrou disposição para enfrentar a cúpula da Corte, trazendo à tona irregularidades no caso das antecipações a desembargadores e a servidores ligados aos magistrados que cuidavam do orçamento.

Embora resistente a críticas, Sartori é comunicativo e ostenta uma liderança inegável entre colegas desembargadores, juízes de primeiro grau e servidores. O sucesso de sua gestão é reconhecido nacionalmente, tendo levado o juiz paranaense Roberto Bacellar, candidato da situação à presidência da AMB, a convidá-lo para o cargo de vice-presidente em sua chapa.

Como informou este Blog, a Associação Paulista dos Magistrados (Apamagis) decidiu fazer uma pesquisa “on line” com todos os associados para saber se são favoráveis à reeleição de Sartori.

As imagens de Sartori cercado por servidores do Judiciário, em Ribeirão Preto, no último dia 20/6, e por presidentes de tribunais e de associações de magistrados em 24/6 na sede do TJ-SP reforçam a curiosidade sobre os projetos de Sartori, que ostenta forte liderança no momento em que a magistratura admite viver um clima de desalento e desprestígio.

Essas circunstâncias talvez tenham inibido eventuais alertas –de seguidores ou de opositores– sobre os riscos da autopromoção no serviço público, como a interpretação de uso do noticiário oficial para reforçar projetos pessoais.

Reportagem de Mario Cesar Carvalho, publicada na Folha em 9/6, revela que ele já foi sondado para se candidatar a deputado estadual. “Gosto de ser juiz. Mas se eu puder ajudar os colegas do Judiciário… Poderia ir depois do mandato”, cogita.

Ainda segundo o texto, “a reeleição pedida pelos funcionários também está no radar de Sartori, mas ele teme que a questão se arraste em disputas judiciais no Supremo ou no CNJ”.

“Eu não vou brigar para ser reeleito. Tem de haver consenso. Se não houver, não vou nem entrar na disputa”, disse o presidente.

Supõe-se que haja candidatos a candidatos à presidência que não têm o mesmo veículo promocional. O eleitorado para o TJ-SP são só os desembargadores. Essa propaganda toda não deve surtir muito efeito entre eles.

Como afirma um magistrado, “teoricamente Sartori corre o risco de ser cobrado, mas ele está tão popular que o autor da cobrança ficaria mal visto”.

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