Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Avião da FAB não é taxi aéreo grátis

Por Frederico Vasconcelos

O uso de um avião da Força Aérea Brasileira para levar o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), parentes e amigos ao jogo do Maracanã –fato revelado pelo repórter Leandro Colon, na Folha desta quarta-feira (3/7)– é apenas o abuso mais recente dessas práticas, agravado pela insensibilidade do parlamentar diante das manifestações de rua.

Conta-se que um ministro da Aeronáutica, ainda durante o governo militar, fez chegar ao então general-presidente a insatisfação de seus oficiais com o tratamento que um ministro civil dispensava à equipe da FAB responsável pelo deslocamento de autoridades.

O tal ministro era conhecido pela impontualidade, o que obrigava os militares a refazer sucessivos planos de voo. A gota d’água que gerou a reclamação ao presidente foi a companhia que o ministro escolheu para um traslado: duas jovens que, decididamente, não aparentavam pertencer ao staff ministerial.

O mais grave: durante o voo as convidadas trataram os oficiais e seus auxiliares como se comissários de bordo fossem e, pior ainda, reclamaram da qualidade dos serviços oferecidos porque não havia nenhuma bebida alcoólica disponível.

A falta de transparência no uso de equipamentos públicos militares para finalidades no mínimo discutíveis não é fato novo.

Aqui neste espaço já se divulgou a tentativa da Marinha de evitar confirmar  que helicópteros da Força haviam sido usados para transportar magistrados a um evento festivo em final de semana prolongado num resort no Rio de Janeiro.

Mais recentemente, o Superior Tribunal Militar não quis prestar maiores informações sobre o uso de aeronaves da FAB e helicópteros do Exército para transportar uma comitiva de mais de 30 pessoas, formada por ministros do STM, chefes de gabinete, oficiais auxiliares, assessores e convidados, em visita a fábricas de veículos militares e de material bélico em São Paulo e Minas Gerais, programa que nada tem a ver com as atividades jurisdicionais da Corte.

No momento em que a sociedade cobra mais transparência, essas autoridades aparentemente preferem continuar nas nuvens, evitando pôr os pés no chão.

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