Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Supremo lobby e vida monástica

Por Frederico Vasconcelos

Candidatura de filhas de dois ministros do Supremo a vagas de desembargador no Rio renova o debate sobre as vantagens e as distorções do Quinto Constitucional.

 

O Quinto Constitucional é visto com bons olhos pelos que entendem que a nomeação de advogados e membros do Ministério Público oxigena os tribunais e traz uma visão externa que enriquece o debate nos julgamentos.

Ao mesmo tempo, essa renovação de “ares” pode sufocar magistrados de carreira, que se sentem desestimulados por terem disputado concursos difíceis e adquirido experiência durante anos em comarcas do interior, trajetória normal até chegar aos tribunais.

Indicações políticas ou por influência de parentesco costumam desmotivar ainda mais os juízes de primeira instância.

Reportagem de Leandro Colon e Diógenes Campanha, publicada na Folha neste domingo (14/7), trata de assunto que vinha sendo mencionado –e cobrado– em comentários de leitores deste Blog: o lobby visando a indicação das advogadas Letícia Mello, filha do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, e Marianna Fux, filha do ministro Luiz Fux, também do STF, para vagas de desembargadoras pelo Quinto Constitucional.

Segundo a reportagem, Marianna disputa uma vaga no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Letícia, no Tribunal Regional Federal da 2ª Região, com sede no Rio.

O Judiciário volta a conviver com a dúvida comum nesses casos: pesarão a experiência e o currículo das candidatas ou os famosos sobrenomes?

Os advogados José Roberto Batocchio e Ophir Cavalcante exaltam as qualidades de Letícia. Ainda quando estava na advocacia, o mais novo ministro do Supremo, Luís Roberto Barroso, enviou cartas elogiando a filha de Marco Aurélio.

Marianna trabalha no escritório do advogado Sérgio Bermudes, amigo de Fux.

Fux não respondeu aos pedidos de entrevista da Folha. As duas candidatas não se manifestaram.

A reportagem revela que Marco Aurélio procurou desembargadores para tratar da indicação da filha. “Jamais pedi voto, só telefonei depois que ela os visitou para agradecer a atenção a ela”, disse o ministro.

“É pecado [a indicação]? É justo que nossos filhos tenham que optar por uma vida de monge?” –questiona.

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