Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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O voto aberto e o triunfo da retórica

Por Frederico Vasconcelos

“Quem estará disposto a pagar abertamente o preço de contrariar o ministro Fux?”

 

Do advogado Luiz Fernando Pacheco, em comentário publicado no site “Migalhas”:

 

O brasileiro, cansado de assistir “triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça” (Ruy Barbosa) foi às ruas. Ortega y Gasset, em “A Rebelião das Massas” já advertia, e faz tempo, que vivíamos, e, digo eu, ainda vivemos a “época das correntes e do deixar-se ir. Quase ninguém apresenta resistência aos torvelinhos artificiais que se formam em arte ou em ideias, ou em política, ou nos usos sociais. Por isso, mais que nunca triunfa a retórica”.

A população, totalmente desinformada, levou no grito a rejeição da PEC 37. Observo, apenas, que o Congresso votou, é de se frisar, acuado com a faca no pescoço empunhada por um povo manipulado na crença de que estava promovendo o bem. O tempo dirá.

Outro exemplo de que de boas intenções o inferno está cheio: querem os bem intencionados úteis acabar com toda e qualquer votação secreta no âmbito do Congresso. Parece democrático, transparente, justo, correto. Não é.

Como regra geral, o voto aberto, sem dúvidas, tem todos estes predicados. Mas em matérias específicas é deletério. Exemplo: homologação de indicação presidencial para ministro do STF.

O Senado sempre diz amém ao Executivo e é premente uma mudança no sistema atual. Mas, por enquanto, mantidas no geral as velhas regras, só que com votação aberta, como exigem os jacobinos do momento, estará aberta a porta para mais uma bárbara iniquidade no processo de escolha. Ou será que algum senador, sujeito que está a eventual jurisdição suprema, ousará votar abertamente contra um candidato que, futuramente como ministro, poderá ser juiz de sua causa?

O que, como regra geral é bom, também é péssimo na formação de lista tríplice para preenchimento de vaga de desembargador. Os magistrados do Rio votam em aberto. Parece que a filha de Fux tenciona candidatar-se. Quem dentre eles estará disposto a pagar abertamente o preço de contrariar o ministro Luiz Fux, que foi desembargador daquele órgão e que hoje integra a cúpula do Poder?

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