Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Nem todas as bruxas da PF estão soltas

Por Frederico Vasconcelos

Agentes federais temem uso eleitoral das operações da Polícia Federal.

 

As manifestações de policiais federais no “Dia das Bruxas” envolveram questões salariais, divergências internas na carreira e o alegado risco de interferência do governo com objetivos eleitorais.

O movimento evidencia um clima difícil na corporação. Mas nem todas as bruxas estão soltas, e nem todas as motivações foram explícitas. A Polícia Federal tem autonomia orçamentária, administrativa e financeira. Exerce as funções de polícia judiciária da União e é diretamente subordinada ao ministro da Justiça. Antecessores do ministro José Eduardo Cardozo sabem como é difícil comandar a PF sem ruídos.

Atribui-se a paralisação à falta de investimentos na PF. Segundo as lideranças, seria um “castigo” pelas operações anticorrupção e “boicote” do governo Dilma a agentes federais, escrivães e papilocopistas. Essa foi a avaliação divulgada pela Federação Nacional dos Policiais Federais numa amostragem com 1.732 policiais federais da base, dentre 11.527 policiais da corporação.

Critica-se a terceirização e alega-se maior evasão de servidores, por não terem recebido reajustes concedidos a outras carreiras federais. Entre os motivos não explicitados, preocupa a centralização em Brasília das informações sobre grandes operações. Teme-se vazamentos seletivos e “controle político” das investigações em período eleitoral.

Em junho, a presidente sancionou lei que garante maior autonomia aos delegados de polícia, a quem cabe a condução da investigação criminal. A lei estabelece que o cargo é privativo de bacharel em Direito. Os agentes federais, que não têm status de delegado, criticam o “bacharelismo” e a falta de meritocracia na carreira. Muitas vezes, o delegado presidente do inquérito não é o investigador do caso ou desconhece o que está sendo investigado.

Dilma vetou artigo prevendo que o delegado conduza a investigação criminal “de acordo com seu livre convencimento”. Se fosse aprovado, o delegado teria autonomia para não cumprir uma investigação, o chamado “poder de não fazer”. Com isso, evitou-se o conflito com atribuições investigativas de outras instituições.

Outro eventual fator de desestímulo na carreira: nos últimos anos houve uma valorização das investigações feitas pela CGU (Controladoria Geral da União), Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), Receita Federal e Banco Central.

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