Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Ex-procurador Roberto Gurgel se aposenta

Por Frederico Vasconcelos

O ex-procurador Geral da República Roberto Gurgel assistirá ao desfecho da Ação Penal do mensalão distante do Ministério Público Federal. Depois de 30 anos na instituição, tendo completado 59 anos de idade em setembro –ou seja, muito antes de atingir a compulsória–, Gurgel pediu aposentadoria. A portaria foi assinada por Rodrigo Janot nesta terça-feira (5/11).

 

Gurgel foi procurador-geral entre 22 de julho de 2009 e 14 de agosto de 2013. Mais votado na lista tríplice, foi indicado em 2009 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Cearense, formou-se em direito pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Antes de ingressar o MPF, em 1982, foi advogado no Rio de Janeiro e em Brasília.

Em janeiro, em entrevista à Folha, ao ser questionado se pensava em se aposentar, Gurgel respondeu:

“O mais provável é que eu vejo essa coisa de renovação e a permanência na instituição pode até acontecer por um período curto. Mas por um período mais longo fica algo de fantasmagórico em relação àquele que foi procurador-geral e que continua circulando pelos corredores. Certo ar que não me agrada muito. A tendência então é essa [aposentadoria].

Gurgel pertencia ao “grupo dos tuiuius”, do qual faziam parte os ex-procuradores Cláudio Fontelles, Antonio Fernando Souza e Wagner Gonçalves, grupo com o qual também é identificado o atual PGR, Rodrigo Janot.

Naquela entrevista, Gurgel disse que o balanço da ação penal do mensalão é muito positivo. Considerou o processo “um marco muito importante, talvez um divisor de águas”.

 

“O grande desafio desse processo era provar a responsabilidade das pessoas que integravam o chamado núcleo político”. Segundo Gurgel, “aquelas pessoas que estão no topo da quadrilha elas tem sempre uma participação cuidadosa e, por isso mesmo, provas diretas são praticamente impossíveis”.

Segundo ele, os efeitos do processo do mensalão “são importantes não apenas pelo que significaram em termos da responsabilidade penal dos réus da Ação Penal 470, mas porque fixam parâmetros que serão extremamente importantes na persecução penal como um todo no Brasil”.

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