Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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O inestimável valor das medalhas

Por Frederico Vasconcelos

O Tribunal Regional do Trabalho de Goiás publicou edital para aquisição de placa  (“totem”) destinada a mais uma solenidade de entrega da “Medalha Ordem Anhanguera do Mérito Judiciário”.

Além da eventual publicação dos gastos com a aquisição de medalhas, colares, placas e comendas, seria recomendável que os tribunais e outros órgãos públicos informassem, posteriormente, os custos totais da manutenção desses eventos destinados a atiçar fogueiras de vaidades ou a conferir certificados de que determinadas pessoas são mais importantes do que outras para essas instituições.

A título de sugestão, eis alguns itens para essa contabilidade de interesse público: informar os custos totais da compra de medalhas, placas, estojos e outros acessórios; o cálculo estimado das horas despendidas por servidores, magistrados e “chanceleres” envolvidos com o processo de confeccção das comendas e seleção dos agraciados; os gastos com a divulgação dos eventos, convites, coquetéis, serviços de valet; os vencimentos (homem/hora) de policiais militares ou de trânsito deslocados para garantir a segurança e o acesso de veículos oficiais, e as despesas com deslocamentos e hospedagem de autoridades.

Com esses números, a sociedade teria mais elementos para avaliar o alegado mérito e os serviços prestados à Justiça pelos homenageados nessas festas, muitas vezes repetidas para aqueles já condecorados que voltam a ser promovidos.

O levantamento, como se sabe, não permitiria avaliar o virtual tráfico de influência que essas trocas de honrarias permitem.

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