Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Advogados avaliam a mídia no mensalão – 5

Por Frederico Vasconcelos

Pitombo: Existe subserviência de determinadas figuras do judiciário à mídia.

A seguir, trechos da entrevista com o advogado Antônio Sérgio Altieri de Moraes Pitombo, defensor do réu Enivaldo Quadrado, publicada no livro “AP 470 – Análise da intervenção da mídia no julgamento do mensalão a partir de entrevistas com a defesa”.

 

O que vende jornal é sempre o escárnio, a imputação, não é a defesa, é a acusação que é interessante para a mídia.

O que vende jornal é fazer acusação, é achincalhar o réu, não contar que alguém foi absolvido, isso não é manchete de jornal.

A leitura de livros de jornalistas que escreveram sobre o mensalão mostra uma pobreza muito grande no debate.

Há jornalistas que são pagos para perseguir determinadas pessoas.

(…) O que existe muitas vezes é a subserviência de determinadas figuras do judiciário à mídia. Há os “juízes estrela”, nós tivemos o fenômeno na Espanha do Gárzon, que é o clássico, a expressão “juiz estrela” é uma expressão espanhola. São juízes que se perdem no exercício da jurisdição, que perdem equidistância, que perdem imparcialidade porque querem satisfazer interesses midiáticos, isso é um outro fenômeno.

Lamentavelmente vê-se determinados jornalistas falando sobre assuntos sem procurar se interessar pelos fatos, há sempre uma ideia que o direito brasileiro é retrógado, o que não é uma verdade.

O Supremo estava isolado, alguns dos jornalistas que estavam cobrindo não disseram a verdade sobre o que aconteceu nos julgamentos. Existia uma pressão, e é natural que assim fosse, para que os julgamentos chegassem à condenação, mas isso não é surpresa nenhuma.

Uma das piores coisas para o Supremo Tribunal Federal é ter as sessões filmadas e televisionadas.

Acho também uma exposição negativa dos advogados: você ao fazer sua defesa está defendendo um ponto, uma causa, uma determinada razão e essa exposição nem sempre é bem compreendida pelas pessoas.

A falta de modos, por exemplo, de alguns ministros no trato com os outros é um exemplo muito ruim para toda a jurisdição. As pessoas deveriam ser mais formais, em várias cenas do mensalão faltou educação.

(…) Julgaram determinadas pessoas que eram odiadas não só pela população, mas também por ministros. A situação de pessoas que não eram políticas foram a reboque, como se fosse uma onda muito forte que te puxa e você não pode se defender.

O ódio ao José Dirceu preponderou, agora, porque as pessoas e os ministros tinham ódio dele. Qualquer pedido que o advogado do José Dirceu fizesse seria indeferido simplesmente porque ele era advogado do José Dirceu, isso prejudicou demais.

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