Advogados avaliam a mídia no mensalão – 8

Por Frederico Vasconcelos

Gustavo Badaró: Jornalismo investigativo cria noções e versões paralelas.

 

 

A seguir, trechos da entrevista com o advogado Gustavo Henrique Righi Ivahy Badaró, defensor do réu Sílvio José Pereira [prestou serviços e teve o processo extinto], publicada no livro “AP 470 – Análise da intervenção da mídia no julgamento do mensalão a partir de entrevistas com a defesa”.

 

(…) Nós temos dois fenômenos muito importantes que precisam ser analisados e que são coisas distintas: um é a cobertura que a mídia passou a fazer de determinados julgamentos. O julgamento ocorre e a mídia procura informar como ele transcorre, qual o seu resultado. Outro fator é um jornalismo investigativo que muitas vezes procura fazer um papel paralelo ao do Poder Judiciário. São fenômenos distintos, com poder de influência sobre o resultado do processo, também distintos. Um é mais passivo e o outro, o jornalismo investigativo, é mais ativo: cria noções paralelas, versões paralelas, trabalha com materiais que não são os que estão nos autos.

A mídia é um poder, o Judiciário é outro poder, há momentos em que um e outro se chocam e é preciso buscar um ponto de equilíbrio.

Sou absolutamente contrário a julgamentos secretos, sessões secretas de julgamentos, decisões a portas fechadas, isso é completamente contrário ao mínimo inerente ao estado de direito. (…) Mas o julgamento ser transmitido, mesmo que gravado, acaba gerando um certo desconforto, debates acalorados, votos muito longos, com uma série de citações.

[Sobre se houve pressão por penas altas]: Eu não tenho dúvida de que o STF nesse julgamento mudou o seu paradigma na dosimetria das penas.