Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Advogados avaliam a mídia no mensalão – 18

Por Frederico Vasconcelos

Marcelo Luiz Ávila de Bessa: O problema maior é não ter imprensa.

A seguir, trechos da entrevista com o advogado Marcelo Luiz Ávila de Bessa, defensor do réu Valdemar da Costa Neto, publicada no livro “AP 470 – Análise da intervenção da mídia no julgamento do mensalão a partir de entrevistas com a defesa”.

 

 

Em primeiro lugar, não existe imprensa neutra, isso é uma questão óbvia. Toda entidade de imprensa tem uma posição ideológica, isso é óbvio. Então, no caso do mensalão, isso ficou muito claro, existiam os que não tinham identidade com o PT, esses fizeram muita pressão para que o julgamento pudesse ser mais cedo e celebravam quase que constantemente as condenações. Em contrapartida, outros que eram mais alinhados ao PT refugavam isso.

Mas isso é normal, é natural que a imprensa comece a participar mais dos julgamentos, principalmente os que causam clamor social. É preciso entender isso com certa naturalidade, cabe ao julgador não se deixar influenciar, sair dos autos para condenar ou absolver pelo clamor social.

O julgamento do STF foi televisionado, eu não tenho notícia de nenhum outro país do mundo que tenha o julgamento televisionado. è óbvio que isso afeta de certa maneira, expõe o STF a uma maior pressão de mídia. Se houve uma pressão no resultado [da ação penal do mensalão] por isso, eu espero que não. Aquele julgamento ocorreu de maneira normal, qualquer julgamento está exposto a erro.

O problema maior é não ter imprensa. A partir do momento que você aceita ter uma imprensa livre você não pode coibir a forma que esse pensamento seja manifestado. Não há como censurar a imprensa.

No mensalão, o erro não é a mídia. O erro maior é ter sido julgado pelo STF. Uma Suprema Corte de um país não pode se dedicar ao julgamento de uma ação penal originária. O absurdo está aí.

O que tem que acabar é o privilégio de foro, que na verdade não é privilégio nenhum, virou uma armadilha. (…) Não há nenhum motivo para um senador ser julgado pelo Supremo e um cidadão comum ser julgado em primeira instância, todos têm que ser julgados pela primeira instância.

Nós já passamos por algumas ditaduras e eu tenho verdadeiro horror por qualquer norma que vise restringir a liberdade de imprensa. Eu prefiro os malefícios dessa liberdade do que os supostos benefícios com uma censura prévia.

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