Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Advogados avaliam a mídia no mensalão – 19

Por Frederico Vasconcelos

Maurício Campos Júnior: A publicidade opressiva é a força mais difícil de se lidar.

A seguir, trechos da entrevista com o advogado Maurício de Oliveira Campos Júnior, defensor do réu Vinicius Samarane, publicada no livro “AP 470 – Análise da intervenção da mídia no julgamento do mensalão a partir de entrevistas com a defesa”.

 

A imprensa precisa impor a si limites éticos mais claros e as pessoas precisam ser responsáveis pelo que publicam.

A ação penal é uma proposta da acusação. Ainda não existe culpa. Mas as pessoas são julgadas e condenadas pela opinião pública muito antes do processo acabar.

Opiniões desprovidas do compromisso com o status precário do processo fazerm julgamentos em blogs e twitter, logo encontrando adeptos e seguidores sem espírito crítico e responsabilidade.

Hoje, os editoriais, comentários e entrevistas sugerem reações e comportamentos de juízes –e até o prognóstico de uma decisão conforme a intensidade das pressões sociais.

A opressão publicitária ou a publicidade opressiva é a força mais difícil de se lidar num caso criminal.

Hoje, é comum o Ministério Público convocar entrevista coletiva por meio de sua assessoria de imprensa e fazer alarde de um caso segundo sua visão naturalmente parcial.

A imprensa se alimenta das informações lançadas segundo a mesma visão parcial nos sítios eletrônicos da instituição. O acusado não disporá das mesmas armas. Sem estrutura para se comunicar com a imprensa e sem a mesma força institucional, não conseguirá “convocar” absolutamente ninguém. A imprensa duvidará de sua versão e preferirá a da acusação oficial.

Considero dispensável que um ministro tenha que dar entrevista sobre sua decisão. Ou pior, que tenha que fazer nota a imprensa para explicá-la. (…) Melhor que o juiz se manifeste através de votos nos julgamentos, aulas e palestras, não entrevistas.

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