Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Advogados avaliam a mídia no mensalão – 21

Por Frederico Vasconcelos

Pierpaolo Bottini: A cobertura de alguns repórteres foi muito precisa.

 

A seguir, trechos da entrevista com o advogado Pierpaolo Cruz Bottini, defensor do réu Luiz Carlos da Silva [Professor Luizinho, absolvido], publicada no livro “AP 470 – Análise da intervenção da mídia no julgamento do mensalão a partir de entrevistas com a defesa”.

 

O Judiciário, como qualquer instituição composta por seres humanos, é sensível às pressões discursivas da mídia e da sociedade. E isso é natural. Mas não acho que isso afete a sua independência.

Acho até que o juiz precisa desse contato com a sociedade. Ele precisa ler jornal, conversar com o taxista, ouvir a conversa na padaria, entender a aflição cotidiana, os valores que perpassam o dia a dia das pessoas comuns. (…) O envolvimento social e político é fundamental para uma decisão equilibrada e realista. O que não significa partidarização ou possibilidade de exercer atividade decisória fora da lei.

Não vejo um pluralismo na mídia, que possa levar à sociedade e ao próprio juiz uma gama de distintos matizes ideológicos. Há uma concentração de ideias parecidas, similares, que representam certos grupos legítimos, mas não a sociedade como um todo.

Talvez a proliferação de espaços livres na internet, de blogs e redes sociais possa alterar essa situação. Como eu disse, não vejo a influência da mídia como um problema, mas a homogeneidade de ideias e discursos.

Eu sou absolutamente contra qualquer tipo de censura. Sou a favor da responsabilização posterior em caso de excesso ou má fé.

Eu sempre fui a favor das filmagens das sessões do STF. O juiz não pode ter medo de decidir na frente das câmeras. Se o fato de ter uma câmera ligada ou não vai fazer com aquele ministro julgue de uma forma ou de outra, o problema está no ministro, não na câmera.

(…) Se existem defeitos, brigas conflitos, que eles sejam expostos ao público. Que as entranhas do Judiciário sejam expostas. Isso é democracia.

Os leigos têm o direito de se apropriar dos debates, dos termos, dos conceitos, ainda que seja para revesti-los de outra roupagem.

A cobertura da televisão [na ação do mensalão] foi muito diferente da cobertura dos jornais. Você percebe que houve uma novelização na televisão, isso influenciou, isso foi ruim.

Por outro lado, a cobertura dos jornais, e eu não estou falando dos editoriais e nem dos colunistas, estou falando dos repórteres que presenciaram o julgamento do começo ao fim, fizeram matérias bem feitas. Os que ficaram e assistiram, fizeram matérias muito interessantes. Houve uma publicização e uma democratização das teorias jurídicas. (…) A cobertura de alguns repórteres no caso do mensalão, de alguns jornais, foi muito interessante, muito técnica, muito precisa.

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Obs. Este é o último post da série

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