Frederico Vasconcelos

Interesse Público

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Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

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Eleição de Nalini e terceiro revés de Sartori

Por Frederico Vasconcelos

Nalini, Alckmin e SartoriA eleição do desembargador José Renato Nalini para a presidência do Tribunal de Justiça de São Paulo surpreendeu os que apostavam numa disputa acirrada, a ser decidida em segundo turno.

Nalini recebeu 238 votos e obteve apoio de 70% dos 342 desembargadores que votaram nesta quarta-feira (4/12). Também disputaram a presidência João Carlos Saletti, que obteve 21 votos, e Vanderci Álvares, que ficou com 7.

Com 200 votos, Eros Piceli foi eleito para o cargo de vice-presidente do TJ-SP. Hamilton Elliot Akel venceu as eleições para corregedor-geral da Justiça, com 179 votos.

Para os juízes mais jovens, o resultado foi uma guinada conservadora no Tribunal. Perderam os candidatos mais afinados com a gestão Ivan Sartori, cuja atuação midiática tinha restrições entre desembargadores mais antigos.

“Isso sinaliza que o Tribunal de Justiça de São Paulo também sabe conciliar a tradição, a antiguidade, a experiência, com a inovação”, disse Nalini, que fará 70 anos ao fim do mandato e se aposentará compulsoriamente.

O resultado das urnas abre espaço para uma dúvida: Sartori seria reeleito no mesmo colégio, caso o Conselho Nacional de Justiça não tivesse impedido sua inscrição como candidato?

A vitória de Nalini representa um terceiro revés, em curto espaço, para Sartori e o grupo de magistrados em torno do desembargador Nelson Calandra (que desistiu de disputar a vice-presidência do TJ-SP): eles também perderam as eleições na AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), em cuja chapa da situação Sartori foi candidato a vice-presidente, e foram derrotados nas eleições da Apamagis (Associação Paulista de Magistrados).

Na prática, Nalini derrotou dois fortes adversários: Paulo Dimas Mascaretti, 58 anos, jovem desembargador com boa imagem na magistratura, mas que recebeu apenas 76 votos, e Ivan Sartori, que tinha a máquina do tribunal, o apoio de juízes de primeiro grau (que não votam) e dos servidores.

A indecisão de Sartori sobre a reeleição reduziu o tempo de campanha de Dimas. Mas o maior concorrente do corregedor foi o presidente, que manteve nos últimos meses atividades típicas de quem trabalhava por um segundo mandato. Em outubro, em mensagem enviada aos desembargadores, Sartori pediu aos possíveis candidatos para “não fazer gestões paralelas no Governo ou na Assembleia Legislativa”.

Nalini se preparou para chegar à presidência. Foi o primeiro a sair candidato. Manteve agenda cheia, expôs seu nome em palestras, lançou livros e edição especial de revista da corregedoria. Participou de estudos e debates sobre a reforma do Judiciário. Como corregedor, Nalini conhece bem o Estado e a magistratura. Ele delegou correições para desembargadores, que se sentiram prestigiados.

Nalini tem diálogo fácil com o Conselho Nacional de Justiça, com o Executivo e Legislativo. O Tribunal paulista foi a grande corte estadual que, em gestões anteriores, resistiu à atuação da corregedoria do CNJ. O presidente eleito terá que aparar arestas deixadas por Sartori com o Ministério Público e a OAB.

Para o presidente em exercício da Assojuris, Carlos Alberto Marcos, a expectativa dos servidores é que a gestão de Nalini não seja pior do que a de Sartori, que “muito se esforçou para resgatar a confiança dos trabalhadores”.

Os juízes costumam dizer que o maior desafio de Nalini será fazer uma gestão melhor que a de Sartori, que mantinha rápida interlocução com os magistrados (se comunicava por e-mail e Facebook), e reuniu uma assessoria considerada eficiente.

(COLABOROU DAVID LUCENA)

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