Frederico Vasconcelos

Interesse Público

 -

Repórter especial, trabalha na Folha desde 1985. No blog, reúne textos investigativos, aborda gastos públicos, política nacional e judiciário.

PERFIL COMPLETO

Publicidade
Publicidade

“Quem se desloca recebe, quem pede tem preferência”

Por Frederico Vasconcelos

De Sanctis na posse

No livro “Operação Banqueiro“, o jornalista Rubens Valente narra como o juiz da Satiagraha, Fausto Martin De Sanctis, só soube que não iria atuar numa turma criminal do Tribunal Regional Federal da 3ª Região –como pretendia– durante a solenidade de posse.

A cerimônia foi conduzida pelo então presidente da Corte, desembargador Roberto Haddad.

O anúncio foi feito pelo deputado federal Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP), sempre presente nas solenidades do tribunal. “Tenho certeza que o novo desembargador Fausto Martin De Sanctis fará um excelente trabalho neste tribunal. Esperamos que, ao julgar causas previdenciárias, suas decisões sejam tão boas quanto foram em causas criminais”, disse o congressista, conforme texto divulgado na época pela assessoria de imprensa da Justiça Federal de São Paulo.

O fato está assim narrado no livro de Valente:

Em janeiro de 2011, De Sanctis tomou posse como desembargador, numa sessão curta e simples na sede do TRF, na avenida Paulista. A expectativa era que De Sanctis, dada sua experiência, no TRF fosse colocado na área que julga matérias penais. Por coincidência, naquele momento, abriu-se uma vaga na 5ª Turma, que analisa os casos criminais. Era um destino tão natural, que De Sanctis chegou a ser procurado por dois colegas, que buscavam dados sobre processos que seriam discutidos na próxima sessão da turma.

Na cerimônia de posse, contudo, De Sanctis sofreu um baque. Em discurso, o deputado federal Arnaldo Faria de Sá informou à plateia que o juiz iria atuar na área previdenciária, em substituição ao desembargador Antonio Cedenho. De Sanctis não sabia, ficou espantado.

No dia seguinte, o primeiro ofício que assinou foi designado à presidência do TRF: “Aparentemente, haveria algum equívoco, uma vez que me foi afiançado, categoricamente, pelos funcionários dessa egrégia presidência, de que não havia interessados na vaga disponível na 5ª Turma”. A presidência respondeu que um desembargador mais antigo, que pediu para ocupar o gabinete, tinha preferência, conforme previsto no regimento interno do tribunal.

Assim, o juiz que atuou nas principais investigações de crimes financeiros e lavagem de dinheiro da história recente do país, que determinou a prisão de dois banqueiros e de um megatraficante e que deu seguidas palestras sobre esses temas na Europa e nos Estados Unidos a partir de 2011 passou a decidir sobre recursos de pessoas que tiveram seu benefício recusado pelo INSS.

Até hoje, continua sem juiz titular a vara federal especializada em julgar crimes financeiros e lavagem de dinheiro da qual De Sanctis era o titular.

 

Blogs da Folha

Categorias

Sites relacionados

Publicidade
Publicidade
Publicidade