Nós quem, cara-pálida?

Por Frederico Vasconcelos

Em 1991, após fazer novo concurso, o então juiz estadual Fausto Martin De Sanctis, que atuava no interior, foi chamado para uma vaga de juiz federal substituto criminal na cidade de São Paulo.

Em outubro, pisou pela primeira vez no prédio da Justiça Federal, então na praça da República, no centro. Ele ficaria nesse trabalho por dezenove anos.

O novo juiz não gostou do que encontrou.

Os processos se arrastavam, e muitas penas prescreviam. Com exceção do diretor, nenhum dos dez servidores da vara era formado em direito.

Nas audiências com advogados, um servidor da vara sempre falava no plural, “nós decidimos” ou “nós concluímos”.

O juiz ouvia aquilo estupefato e concluiu que seu nome estava sendo usado indevidamente.

Ao voltar de férias, descobriu que o funcionário havia liberado o passaporte de um réu, que em seguida viajou para o exterior.

O juiz fez uma denúncia à administração da Justiça. O funcionário foi transferido, mas não chegou a ser demitido.

O episódio está narrado no livro “Operação Banqueiro“, do jornalista Rubens Valente.