Línguas malévolas e boa lábia na Corte

Por Frederico Vasconcelos

Sartori e Nalini Línguas Malévolas“Orçamento amesquinhado pelo Executivo” é desafio para todos os presidentes, diz Ivan Sartori.

Sob o título “Línguas Malévolas da Desculpa“, o texto a seguir foi enviado no último domingo (9/3) pelo desembargador Ivan Sartori, ex-presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, a seus seguidores no Facebook.

 

De algum tempo para cá, tomo conhecimento de que línguas malévolas, entre magistrados palacianos, andam assoalhando que todos os benefícios que eu e minha equipe implantamos durante minha gestão teriam provocado a quebra financeira do Poder Judiciário.

Essa estratégia é muito antiga. Culpar alguém, mormente um antecessor, para justificar eventual insucesso. Só que a mentira, como dizem, tem perna curta.

Todos nós sabemos que o orçamento do Tribunal sempre foi amesquinhado pelo Executivo, que pretende ter os demais Poderes sob seu controle político e funcional. Todos os Presidentes, sem exceção, assumiram o Tribunal com prognóstico negativo. Comigo não foi diferente.

No primeiro ano da gestão, tive um prognóstico de 450 milhões negativos e, no segundo, 600 milhões. Nem por isso culpei o Bedran, o Celso ou qualquer outro antecessor. A realidade do Tribunal é e sempre foi perversa.

Consegui verba para a minha gestão, mais de 1 bilhão, como já noticiei. E não é possível poupar para futuras administrações, porque o orçamento propriamente dito (não o fundo, que tem aplicação relativamente limitada) se encerra no ano. Tanto que se sobrar algum dinheiro, deve haver devolução ao Executivo.

Não foi por outro motivo que muitos Presidentes deixaram o Tribunal na matroca.

Durante toda a minha gestão venho conscientizando os pretendentes à Presidência dessa realidade. O Presidente precisa antes de tudo ter muita coragem para enfrentar esse saldo negativo, noites e noites durante o ano sem dormir, até que, no final do ano, consiga a suplementação, com boa lábia e muita estratégia.

Depois, sabido que durante a execução orçamentária e remanejamentos, o saldo negativo acaba caindo bastante, embora continue significativo.

O Tribunal vem sendo sucateado há décadas e tudo que fiz foi procurar tirar um pouco do atraso. O quadro de servidores ainda continua sucateado, apesar das milhares admissões.

A estratégia da intriga e do boato não vão mudar o quadro. Desejo boa sorte à atual administração, que ainda está iniciando e, confio, muito pode fazer.