O desencanto da ex-corregedora

Por Frederico Vasconcelos

De Eliana Calmon, ex-corregedora nacional de Justiça e ministra aposentada do STJ, em pré-campanha ao Senado (PSB-BA), em entrevista a Osvaldo Lyra, do jornal “Tribuna da Bahia“:

 

Depois que eu passei pelo Conselho Nacional de Justiça, em meus 34 anos de Magistratura, eu nunca assumi nenhum cargo para ficar longe da judicatura. Eu judiquei todo esse tempo. Eu nunca assumi cargo público, nunca fui assessora de ninguém, nunca saí da atividade de juíza, sempre fui julgadora. O único cargo que me afastou da judicatura foi a corregedoria por imposição constitucional. Já amadurecida como magistrada, eu me deparei com a atividade política do Poder Judiciário. Política, entendemos como a arte de governar o Poder Judiciário. Deixando a Corregedoria, voltei para o STJ e continuei com a atividade de julgadora, mas o lugar não me coube mais. Para ser absolutamente sincera, eu não fui mais feliz como era antes de ter conhecido as entranhas do Poder Judiciário.

(…)

Na realidade, a atividade judicante deixou de ser a grande questão da minha vida porque descobri que a atividade mais forte é a política. É ela quem conduz, e se nós não tivermos um bom direcionamento político não adianta a atividade de julgar. A gente pega o Direito, joga para um lado, joga para o outro, para cima e para baixo, e isso não me encantou mais.