Intolerância preocupa juízes gaúchos

Por Frederico Vasconcelos

A Ajuris, associação que reúne os magistrados do Rio Grande do Sul, divulgou a seguinte nota:

 

A AJURIS manifesta perplexidade e apreensão com a morte por espancamento de Fabiane Maria de Jesus, 33 anos, ocorrida em Guarujá, no litoral paulista. O crime teria sido motivado por boatos publicados no Facebook, associando a vítima ao sequestro de crianças, fato negado pela autoridade policial. As imagens da agressão realizada por moradores do local, registradas por um cinegrafista amador, remetem a cenas de barbárie.

Vale salientar, não foi a primeira vez que os chamados “justiciamentos” foram praticados nos País. A AJURIS reitera o temor de que tais atos se tornem uma tendência no Brasil. Neste ano, outros crimes semelhantes foram registrados e evidenciam a necessidade de ações firmes por parte do Poder Público.

Atos como esse são inadmissíveis e merecem a total atenção das autoridades e da sociedade, pois ferem os princípios do Estado Democrático de Direito, alerta o presidente da Associação, Eugênio Couto Terra. O magistrado caracteriza a prática como uma irracionalidade que aflora o clima de intolerância e preconceito.

Eugênio Terra também considera imprescindível uma severa investigação do caso, visando à responsabilização exemplar dos culpados. “Não é admissível que um ato tão grave fique sem uma resposta exemplar do Estado. O avanço civilizatório e a tolerância não podem ser atacados sem punição”, define.

A Associação também conclama os cidadãos a usarem as redes sociais com responsabilidade para não propagar boatos e mentiras, como muito se tem visto, inclusive, por parte de autoridades.