Novo corregedor vota pela abertura de processo sobre ex-presidente da Ajufer

Por Frederico Vasconcelos

Pedido de vista suspende julgamento de processo administrativo no Conselho da Justiça Federal.

Em julgamento realizado nesta segunda-feira (26/5) no Conselho da Justiça Federal, o novo corregedor-geral, ministro Humberto Martins, votou pela abertura de processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do desembargador Antonio de Souza Prudente na fraude dos contratos fictícios tomados pela Associação dos Juízes Federais da 1ª Região (Ajufer) junto à Fundação Habitacional do Exército (Poupex).

O ministro Herman Benjamin, antecipando-se ao voto do ministro Gilson Dipp, pediu a palavra e pediu vista.

O advogado Antonio Nabor Areias Bulhões fez a sustentação oral em defesa de Prudente, desembargador do TRF-1 e primeiro presidente da Ajufer. O magistrado alega inocência.

O processo deveria ter sido julgado em 10/4, na última sessão da qual participou o então corregedor-geral, ministro Arnaldo Esteves Lima, mas o colegiado acolheu o pedido de adiamento feito pela defesa. A relatoria passou para o novo corregedor.

Conforme a Folha revelou em abril de 2011, durante dez anos a Ajufer firmou contratos fictícios com a FHE, usando indevidamente o nome de 157 juízes federais que desconheciam a fraude.

Entre outras irregularidades, recursos desviados eram sacados na boca do caixa, transferidos para contas de “laranjas”. A entidade também mantinha contabilidade paralela para gastos com eventos em resorts.

O esquema foi descoberto em auditoria realizada pela FHE, que foi à Justiça cobrar da Ajufer uma dívida de R$ 21 milhões.

Em 2011, Prudente afirmou ao repórter Filipe Coutinho, da Sucursal de Brasília, que se encontrava “na condição de inadimplente que quer honrar os compromissos”.