Falcão prevê continuidade na Corregedoria Nacional de Justiça

Por Frederico Vasconcelos

“O aprimoramento do Judiciário é um caminho sem volta”, afirmou o ministro Gilson Dipp, em 2010.

Dipp, Eliana, Falcão e Nancy

O presidente eleito do Superior Tribunal de Justiça, ministro Francisco Falcão, diz ter certeza de que a ministra Nancy Andrighi “dará continuidade ao trabalho moralizador na Corregedoria Nacional de Justiça, que vem sendo feito a partir dos mandatos dos ministros Gilson Dipp e Eliana Calmon”.

Previsão semelhante foi feita pelos dois antecessores de Falcão, a cada troca de comando na Corregedoria Nacional de Justiça.

Em agosto de 2010, no final da gestão de Dipp, este repórter perguntou ao ministro, durante entrevista, se a atuação do CNJ seria mantida pela nova corregedora, ministra Eliana Calmon.

“Tenho absoluta confiança que ela vai desenvolver um trabalho eficiente. Não só pela sua postura, como também pelas manifestações que tem feito dar continuidade ao trabalho que foi iniciado. O aprimoramento do Judiciário é um caminho sem volta”, respondeu.

Em setembro de 2012, a mesma pergunta foi feita a Eliana Calmon, em entrevista publicada na Folha.

“Ela evita criticar seu sucessor, ministro Francisco Falcão, de quem é amigo, e não faz coro com os que preveem uma atuação menos incisiva na Corregedoria do CNJ”, registrei na reportagem.

Questionada se temia um retrocesso no combate à corrupção, a ministra respondeu:

“Não. Acho que o ministro Francisco Falcão dará continuidade ao trabalho”.

“Ele está com muita vontade de ser corregedor”, comentou informalmente, depois da entrevista.

A corregedoria na gestão de Falcão levou a julgamento 24 procedimentos administrativos, com o afastamento de 14 magistrados [até esta terça-feira (27), pois o atual corregedor ainda participará de duas sessões do CNJ].

Nancy Andrighi ainda será sabatinada pelo Senado. Mas Falcão já disse à corregedora eleita que a transição começaria imediatamente.

Na prática, os principais processos da corregedoria já vinham sendo compartilhados com dois juízes cedidos ao CNJ pelo gabinete da ministra Andrighi.