O retorno de Telma e Mário ao TJ da Bahia

Por Frederico Vasconcelos

Hirs e exReportagem de Cláudia Cardozo, publicada no jornal “Bahia Notícias“, reproduz declarações dos desembargadores Telma Britto e Mário Alberto Hirs durante sessão plenária nesta quarta-feira (30) no Tribunal de Justiça da Bahia.

Afastados do tribunal por decisão do Conselho Nacional de Justiça, os dois magistrados retornaram às atividades judicantes por força de liminar concedida pelo presidente interino do Supremo Tribunal Federal, ministro Ricardo Lewandowski.

Os processos disciplinares instaurados no CNJ prosseguem com a tomada de depoimento de testemunhas e ainda haverá o julgamento do mérito pelo colegiado.

Segundo a reportagem, o presidente do TJ-BA, desembargador Eserval Rocha, não comentou a volta dos juízes. “Preferiu chamar os primeiros processos da pauta de julgamento”.

Telma Britto afirmou: “Recebi desde o primeiro momento do famigerado afastamento o apoio da magistratura inteira, e por isso, o que eu disse aqui agora, vale também para a magistratura de primeiro grau. Não nos faltou, em nenhum momento apoio. Não nos faltou, em nenhum momento, uma palavra que nos dissesse: acreditamos em vocês. Isto conforta. Não me cabe agora, até em respeito ao CNJ, aqui, queiramos ou não, é o segundo órgão na hierarquia do poder judiciário, tecer críticas ou considerações desairosas, ou o que quer que seja, por mais que discorde de alguns posicionamentos. A mim, me cabe respeitar e lutar para que a verdade, a minha verdade, também seja ouvida”.

Ainda segundo a reportagem, a desembargadora disse: “É fato que nós não divulgamos acusações e defesas. Fizemos isso em respeito às decisões. Mas de logo me prontifico a disponibilizar para qualquer um, particularmente, tudo o que foi dito contra nós, e tudo o que dizemos em nossa defesa. Felizmente, a magistratura nacional acordou, porque o apoio, a surpresa, a estranheza com tudo o que aconteceu, não se restringiu na Bahia. As manifestações também vieram de fora, dos mais jovens, dos mais velhos, de advogados, de servidores, de gente do povo, de gente que não nos conhecia a fundo, mas que pela forma como se divulgou, julgando pela imprensa magistrados, uma mácula. Sentiram que havia algo de errado”.

“Sou um homem comum, um homem simples, nada tenho, a não ser a amizade dos senhores e a benção de Deus”, afirmou o desembargador Mario Alberto Hirs.

“Nós somos desunidos, nós estamos dispersos, nós somos covardes. Essa é a verdade. E talvez por tudo isso, é que coisas como a que aconteceram acontecem, e voltam a acontecer. Sem dúvidas”.

“Se não me falha a memória, foi a desembargadora Silvia que disse que quando uma injustiça acontece, da forma como foi, todos poderão ser vítimas da justiça. Essa dispersão, esse sentimento ególatra, esse ensimesmamento de alguns que se acham semi-deuses, dono da verdade é que nos destrói, que nos fazem fracos, passivos. Eu prometi que não ia tocar nesse assunto, mas confesso que certas horas, eu não consigo me controlar, por isso, mais uma vez, agradeço a todos senhores as homenagens”, afirmou o magistrado.

Segundo a reportagem, Hirs afirmou que em nenhum momento teve “raiva e rancor, até mesmo de seus algozes”.