A equipe que denuncia os empreiteiros

Por Frederico Vasconcelos

Procuradores da Lava Jato

Ao chamar os procuradores de ‘Cavaleiros do Apocalipse’, advogados tentam depreciar a ação do MPF.

Reportagem de Letícia Casado e André Guilherme Vieira, publicada nesta quinta-feira (11) no jornal “Valor Econômico“, apresenta o perfil dos nove procuradores da Operação Lava Jato.

“Eles têm entre 28 e 50 anos, são pós-graduados em universidades americanas e europeias, estudiosos da operação Mãos Limpas, que desarticulou a máfia italiana no começo dos anos 90 e atuaram juntos em casos como o Banestado e o mensalão”.

São eles: Carlos Fernando dos Santos Lima, Deltan Dallagnol, Diogo Castor de Mattos, Roberson Henrique Pozzobon, Paulo Roberto Galvão, Orlando Martello Júnior, Januário Paludo, Antonio Carlos Welter e Athayde Ribeiro Costa.

Eles “fizeram uso inédito das delações premiadas na obtenção de provas para a denúncia a ser oferecida contra aquela que é apresentada como a maior organização criminosa de agentes públicos e privados já desbaratada no país”, afirma o jornal.

Segundo a reportagem, Santos Lima “é considerado por advogados de defesa como ‘o cérebro’ por trás dos acordos de delação premiada”.

“É a maior autoridade em colaboração jurídica internacional da equipe. É vice-secretário de cooperação jurídica internacional da procuradoria geral da República. Especialista em compliance, crimes do colarinho branco e colaboração premiada”.

Para os criminalistas que frequentam a sede da PF em Curitiba –ainda segundo o mesmo jornal– esta é a “turma ‘sangue nos olhos'” [expressão que deu título à reportagem]. Já foram chamados também de “Cavaleiros do Apocalipse”.

Advogados de réus de crimes financeiros e de lavagem de dinheiro também chamavam de “câmara de gás” a Vara Federal da qual o então juiz federal Fausto De Sanctis era titular.

“Exploram isso para desmerecer o trabalho feito aqui”, discordava De Sanctis, que considerou a afirmação ofensiva: “O juiz não é rigoroso. Rigorosa é a lei”.