Presos reformam escolas em MS

Por Frederico Vasconcelos

Presos pintam escolas

O trabalho dos presidiários do regime semiaberto de Campo Grande (MS) já possibilitou a reforma de três escolas públicas e deve ser estendido às escolas do interior do Estado, informa o Conselho Nacional de Justiça.

Os presidiários fazem parte do projeto “Pintando a Educação com Liberdade”, idealizado na 2ª Vara de Execução Penal (VEP) de Campo Grande. O projeto prevê a destinação de 10% do salário dos internos para o custeio das reformas. A prefeitura economizou cerca de R$ 1 milhão, segundo a Secretaria Estadual de Educação.

Os presidiários cumprem pena no Centro Penal Agroindustrial da Gameleira, em Campo Grande. O modelo de ressocialização do regime semiaberto foi aprovado pelo CNJ. O conselheiro Guilherme Calmon prevê que seja estendido para outras unidades prisionais do País.

“Considero que o projeto é também uma ação de segurança pública, pois o trabalho oferecido aos presos evita muitas vezes que eles retornem ao crime, gera uma reflexão da vida”, diz o idealizador do projeto, juiz Albino Coimbra Neto, da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande.

Uma das barreiras que o projeto enfrentou no início foi a resistência da sociedade ao se deparar com presos em um ambiente escolar. Segundo o juiz, a comunidade percebeu o benefício do projeto. “As pessoas imaginam que o que vem de presídio só pode ser coisa ruim, mas hoje os diretores, professores e pais estão muito agradecidos aos presos”, diz Neto.

Um dos presos foi aluno de uma das escolas reformadas e foi reconhecido pelos professores.

A destinação dos recursos às obras públicas só foi possível pela edição de portaria pela Vara, que normatizou o trabalho dos apenados, dentro e fora do presídio, instituindo o desconto de 10% de suas remunerações, valor que é depositado em conta judicial.

Os internos do regime semiaberto também participam, desde 2013, do projeto Calçamento Social, no qual constroem pisos e calçadas em instituições sociais da capital.

O diretor do presídio, Tarley Cândido Barbosa, informou que houve redução no índice de evasão de detentos.