Acusado da morte do cacique Marco Veron se entrega 12 anos depois

Por Frederico Vasconcelos

Foragido há 12 anos, Nivaldo Alves de Oliveira, denunciado sob acusação de participação no homicídio do indígena guarani-kaiowá Marco Veron, em 2003, apresentou-se nesta sexta-feira (23), acompanhado de um advogado, na Procuradoria da República em Dourados (MS).

Oliveira prestou depoimento no MPF. Como a ordem de prisão preventiva estava em aberto, ele foi encaminhado à carceragem da Polícia Federal em Dourados, onde ficará à disposição da Justiça Federal.

O processo judicial em relação a Oliveira –que havia sido desmembrado e suspenso– poderá voltar a tramitar.

Segundo informa a assessoria de imprensa do MPF em Mato Grosso do Sul, em janeiro de 2003 os kaiowá sofreram ataques de um grupo de trinta a quarenta homens armados, contratados para expulsá-los de um acampamento.

Um veículo dos indígenas com 2 mulheres, um rapaz de 14 anos e 3 crianças de 6, 7 e 11 anos foi perseguido por 8 km, sob tiros. Sete índios foram sequestrados, amarrados na carroceria de uma camionete e levados para local distante da fazenda, onde passaram por sessão de tortura.

Um dos filhos de Veron, Ládio, quase foi queimado vivo. A filha dele, Geisabel, grávida de sete meses, foi arrastada pelos cabelos e espancada. Marco Veron, à época com 73 anos, foi agredido com socos, pontapés e coronhadas de espingarda na cabeça. Ele morreu por traumatismo craniano.

O julgamento dos réus Estevão Romero, Carlos Roberto dos Santos, Jorge Cristaldo Insabralde e Nivaldo Alves de Oliveira foi o primeiro envolvendo acusados pela morte de indígenas em MS.

Os três réus foram condenados a 12 anos e 3 meses de prisão em regime fechado por sequestro, tortura e lesão corporal a seis indígenas, além de formação de quadrilha armada e fraude processual. Em outubro de 2008, o MPF ofereceu denúncia contra outras 24 pessoas por envolvimento no crime.

O júri foi transferido de Dourados (MS) para São Paulo (SP) a pedido do MPF, por causa do preconceito contra os indígenas em MS, o que poderia influenciar no resultado do julgamento.