Versões distintas sobre a origem do esquema de corrupção na Petrobras

Por Frederico Vasconcelos

Carvalhosa, Lula e FHC

Entrevistado no programa “Roda Viva“, em dezembro último, o advogado Modesto Carvalhosa atribuiu o esquema de corrupção na Petrobras principalmente a dois fatores: a) o loteamento político da empresa pelo PT e b) uma alteração do regulamento da estatal –durante o governo FHC– que permitiu dispensar a Lei das Licitações para grandes obras.

Em artigo nos jornais “O Estado de S. Paulo” e “O Globo“, neste domingo (1), sob o título “Chegou a hora”, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sugere outra versão, numa rápida referência às licitações.

Eis trecho de resumo elaborado por Carvalhosa e distribuído pela produção do “Roda Viva” [grifo nosso]:

(…)

– Dentro da corrupção sistêmica –-que opera com dinâmica própria no seio de administração– o projeto hegemônico do PT e consequente aparelhamento absoluto do Estado, em todos os seus setores, escancara as portas da Petrobras para a pilhagem, na medida em que fraudulentamente, no governo FHC foram incluídas no Regulamento  também as obras, passando no atual Governo do PT a ser o veículo de financiamentos permanentes de partidos e de políticos, levando os seus delegados na Petrobras –Diretores e Gerentes– a utilizarem a triangulação –Petrobras – empreiteira – partidos e parlamentares, Ministros, Governadores da situação que se apropriam do sobrepreço dos contratos.

Eis trecho do artigo de FHC [grifos nossos], após referir-se a “projetos decididos graças à ‘vontade política’ do mandão no passado recente“:

(…)

Medida que isentava a empresa da concorrência nas compras, transformou-se em mera proteção para decisões arbitrárias que facilitaram desvios de dinheiro público”.