Juízes que influenciaram Sergio Moro

Por Frederico Vasconcelos

Gilson Dipp, Giovanni Falcão e Earl Warren inspiraram o magistrado da Operação Lava Jato, revela jornalista.

Dipp, Falcone, Warren, Moro

Sob o título “A trindade de Sergio Moro“, a jornalista Maria Cristina Fernandes revela, em artigo no suplemento semanal do “Valor Econômico” nesta sexta-feira (24), quem são os juízes inspiradores do magistrado da Operação Lava Jato: Earl Warren, Giovanni Falcone e Gilson Dipp.

Warren tirou a Suprema Corte dos EUA “do pelotão auxiliar do macarthismo para colocá-la na linha de frente da luta pelos direitos civis”.

Falcone, depois de conseguir a condenação da Cosa Nostra, na Itália, “dedicou-se a projetos de lei antimáfia”.

Dipp, um dos principais artífices das varas de crimes financeiros, foi, segundo a jornalista, “um dos juízes mais temidos pelos escritórios de advocacia do país”.

Maria Cristina revela que “o ministro aposentado do STJ foi preservado no oratório do comandante da Lava Jato a despeito do seu parecer contra a espinha dorsal da operação, a delação do doleiro Alberto Youssef”.

“A assessores que lhe cobraram a preferência, Moro disse que o parecer não é do juiz, mas do advogado”, revela.

O artigo –que merece leitura– não aprofunda esse aspecto, mas há um silêncio respeitoso dos juízes federais em relação ao parecer de Dipp. Anos atrás, juízes federais que atuam na área criminal publicaram um livro em homenagem a Dipp, mentor das varas especializadas em julgar crimes financeiros e lavagem de dinheiro.

O parecer foi recebido com surpresa e decepcionou alguns magistrados. Houve até quem admitisse que Dipp deveria ter mantido quarentena, pois o parecer poderia ser usado em inquéritos no STJ.

A elaboração de pareceres por magistrado que deixa a toga é um direito de Dipp. A encomenda da peça, por sua vez, revela o legítimo senso de oportunidade do advogado, que identificou no novo parecerista alguém com respeitabilidade capaz de levantar dúvidas sobre o instrumento que tem movido a Lava Jato: a delação premiada.

O “Valor” registra que, na Lava Jato, “de 205 habeas corpus, apenas 2 foram concedidos. Entre os 203 recusados está o do empresário que contou com o parecer de Dipp”.

O que não impede que outros advogados mencionem o parecer em outras ações.

Há algumas interpretações para a decisão do ministro aposentado (o Blog o procurou, mas não conseguiu consultar Dipp).

Uma delas está implícita no comentário de Maria Cristina, ao registrar que “antes de entrar no milionário mercado de pareceres” (sic), “Dipp foi um radical defensor dos métodos do juiz Sergio Moro na Lava Jato”.

Outra hipótese aventa a possibilidade de desconforto com o natural ostracismo provocado pela aposentadoria compulsória.

Os mais críticos veem contradição entre posições recentes sustentadas por Dipp –inclusive em entrevistas ao editor deste Blog– e argumentos que adotou no parecer em que, no dizer da jornalista, “tenta desmontar a operação”.